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A Dona do Pedaço


Aos 74, Ana Lúcia Torre diz ser privilégio trabalhar com essa idade no país

Ana Lúcia Torre interpreta Berta em A Dona do Pedaço - Victor Pollak/Globo
Ana Lúcia Torre interpreta Berta em A Dona do Pedaço Imagem: Victor Pollak/Globo

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

04/10/2019 04h00

Ana Lúcia Torre entrou no elenco de A Dona do Pedaço há pouco tempo para viver Berta, a governanta que tem ajudado Camilo (Lee Taylor) a ficar na cola de Vivi (Paolla Oliveira) e contar para ele sobre qualquer deslize dela. "Eu não preciso desse cão de guarda", disse a influenciadora para o marido em cena recente.

Com 44 anos de carreira, Ana tem emendado trabalhos consecutivos desde 2015, quando atuou em Verdades Secretas e comemora por poder seguir com bastante trabalho.

"Comecei minha carreira aos 30 anos. Estou com 74 anos, são 44 de trabalho e espero que venha muito mais. Acho isso um privilégio num país que considera uma pessoa acima de 40 velho. A potencialidade e a calma de vida de uma pessoa de 40 o faz totalmente capacitado. Chegar aos 74 no teatro, cinema, novela... Agradeço todos os dias por isso", diz.

A atriz lamentou ainda o episódio de ataque à Fernanda Montenegro feito pelo dramaturgo Roberto Alvim, diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, nas redes sociais no fim de setembro. Apoiador de Bolsonaro, o dramaturgo usa palavras como "sórdida" para descrever a atriz de 89 anos. O texto escrito por ele surgiu em consequência da capa para a edição de outubro da revista literária Quatro cinco um, em que Fernanda é retratada como uma bruxa sendo queimada em uma fogueira de livros.

"Nós estamos atravessando uma fase de extremismos, de esquerda e direita. Quando você entra nesse processo ninguém escuta o outro. Hoje nós temos um governo de direita, com pessoas que têm a possibilidade de externar o seu pior porque têm aval do governo. Acho que é uma época de recolhimento, de entender o que está acontecendo para poder dar continuidade. Não tem caminho para mim que não seja através do amor."

"Tentei fazer uma mulher seca"

Para compor Berta, Ana Lúcia pensou em construir a personagem com características de uma pessoa fria e distante.

"Tentei fazer uma mulher seca, que cumpre ordens e isso só pode vir de uma pessoa que tem rigidez. Sempre gostei de olhar as pessoas andando. O ser humano é múltiplo. Me baseei nessa rigidez de caráter. No primeiro dia que a personagem foi ao ar, ouvi: 'Como a senhora está má'. Foi ótimo porque só tinha gravado dois dias."

Ao que tudo indica, Berta vai se aliar a Vivi e ajudá-la a se livrar de Camilo.

"Eu, Ana Lúcia, ficaria amiga da Vivi. Mas a Vivi que a Berta conheceu é aquela que já chegou furiosa. Para Berta, ela é voluntariosa e mimada. Acho importante que as novelas toquem em assuntos que são fundamentais como o machismo. Não tem como a gente não tocar nesse assunto, isso tem que ser dito diariamente."

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