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Como Harry e Meghan mantêm títulos, mas falam em independência financeira?

O duques de Sussex, Meghan e o príncipe Harry, durante visita à Canada House, em Londres - Getty Images
O duques de Sussex, Meghan e o príncipe Harry, durante visita à Canada House, em Londres Imagem: Getty Images

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

10/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Harry e Meghan decidem abrir mão dos privilégios como membros da família real britânica para se tornarem "financeiramente independentes"
  • O comunicado oficial faz surgir mais dúvidas do que certezas: afinal, como eles conseguirão se manter?
  • Ao manterem os títulos, eles continuaram recebendo uma parte significativa de dinheiro dos contribuintes ingleses
  • A fortuna do casal é avaliada em 34 milhões de libras

O anúncio do afastamento do príncipe Harry e de Meghan Markle da família real fez surgir uma série de dúvidas sobre como o casal alcançará a independência financeira, um dos motivos citados no comunicado oficial em que os duques de Sussex falam sobre o plano de renúncia como membros da realeza britânica. Após a notícia bombástica, jornais do Reino Unido passaram a questionar sobre como Harry e Meghan conseguirão se sustentar de forma realmente independente.

"Pretendemos renunciar como membros da Família Real e trabalhar para nos tornar financeiramente independentes, enquanto continuamos a apoiar totalmente Sua Majestade a Rainha", diz o trecho do comunicado oficial.

O novo site oficial do duque e da duquesa informa que o casal não será mais financiado por meio do Sovereign Grant, que consiste no dinheiro que o governo britânico repassa para a família real após os membros dela pagarem seus impostos. Isso significa que eles não teriam mais parte no montante de 82 milhões de libras (R$ 436 milhões) que os contribuintes pagam à rainha anualmente pelos deveres reais, com segurança, funcionários e na manutenção de casas e palácios.

Entretanto, é importante notar que Harry e Meghan pretendem manter seus títulos. Para os críticos ouvidos pelo tabloide Daily Mail, a ideia de uma independência financeira é, por isso, uma falácia. Ao manterem os títulos, eles continuarão recebendo uma parte significativa de dinheiro público para se manterem.

O comentarista Penny Junor, especialista em família real, disse não acreditar que a decisão tenha sido bem pensada: "O contribuinte não vai ficar feliz. Os contribuintes já reclamam o suficiente de ter de pagar qualquer valor para a família real.

O site de Harry e Meghan ainda diz que eles realizarão "orgulhosamente" visitas oficiais ao exterior em apoio à rainha, o que significa que provavelmente continuarão reivindicando esses custos das viagens. No último balanço financeiro, segundo o tabloide, eles reivindicaram 130 mil libras em custos de viagem (R$ 692 mil), incluindo 80 mil (R$ 426 mil) em viagens à Austrália, Nova Zelândia e ilhas do Pacífico, como Tonga e Fiji, no final de 2018.

Os custos ainda podem ter um acréscimo com as eventuais viagens deles ao cruzarem o Atlântico, já que, pelo anúncio, eles se mudarão para a América do Norte. Viagens de primeira classe, secretária particular e uma babá para o filho, Archie, por exemplo, farão parte destes gastos.

Fortuna pessoal

Na empreitada de conquistarem a chamada independência financeira, ainda que seja algo discutível, Harry e Meghan não deram um passo em falso até decidirem fazer o anúncio oficial.

Realmente, houve uma preparação para isso. Eles lançaram uma conta própria no Instagram em abril, registraram mais de 100 produtos em seus nomes em junho e contrataram uma nova empresa de relações públicas em setembro. Tudo isso contribuiria para inflacionar a fortuna pessoal do casal, que é avaliada em 34 milhões de libras (R$ 181 milhões).

Esse patrimônio inclui a herança deixada a Harry pela mãe, a princesa Diana, e quanto ele recebeu quando serviu como piloto da Força Aérea Britânica.

Casamento do príncipe Harry e Meghan Markle em 2018 - Jane Barlow - WPA Pool/Getty Images
Casamento do príncipe Harry e Meghan Markle em 2018
Imagem: Jane Barlow - WPA Pool/Getty Images

Os gastos da família real

Rainha Elizabeth 2ª - Reprodução/Instagram @theroyalfamily
Rainha Elizabeth 2ª
Imagem: Reprodução/Instagram @theroyalfamily
É significativa a parcela de contribuintes que se queixa dos custos para manter a monarquia britânica. Às vésperas do casamento de Harry e Meghan, em 2018, o assunto voltou à tona e a Fast Company fez um levantamento que mostra, também, a influência dos membros da família real no aquecimento da economia.

A fortuna estimada da rainha Elizabeth, por exemplo, seria de US$ 425 milhões (R$ 1,73 bilhão), o que leva em conta propriedades como a Sandringhan House e o Castelo Balmoral (a casa de férias na Escócia). O valor avaliado da coroa é de US$ 16,8 bilhões (R$ 68 bilhões), incluindo propriedades e empresas que pertencem à monarquia.

Em relação aos casamentos reais, o de Harry e Meghan teve um custo de US$ 45 milhões (R$ 185 milhões). Já a união do príncipe William com Kate Middleton, em 2011, teve um custo de US$ 34 milhões (R$ 138 milhões).

Mas a família real não oferece apenas despesas para que seja mantida. O retorno e o impacto na economia acabam compensando os gastos.

Para citar apenas um exemplo, em 2018, ano em que foi realizada a pesquisa, o efeito Kate Middleton teve um impacto direto na moda do Reino Unido gerando cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 5,3 bilhões) no mundo fashion com as escolhas e tendências lançadas pela duquesa, o que acaba impulsionando as vendas das grifes. Isso sem contar os bilhões de dólares movimentados pelos matrimônios reais.

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