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Zezé Motta lembra como rompeu papéis estereotipados: Não queria ser só isso

Zezé Motta, atriz e cantora, questionou os personagens dela serem sempre os mesmos e com as mesmas funções - André Horta /Fotoarena/Folhapress
Zezé Motta, atriz e cantora, questionou os personagens dela serem sempre os mesmos e com as mesmas funções Imagem: André Horta /Fotoarena/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

10/08/2020 10h50Atualizada em 10/08/2020 12h10

Nome relevante da dramaturgia do Brasil, Zezé Motta comentou seu início de carreira nos anos de 1970 e como venceu o sistema que estereotipava os personagens para os quais ela era convidada.

"Uma das piores coisas é que eram personagens sem pai, sem mãe, sem marido, sem filho, em que a casa era a da patroa, não tinham sequer roupa de passeio. Eu não queria ser só isso", disse ela em entrevista ao portal Alma Preta.

Zezé observou como era as funções dos personagens eram sempre semelhantes e como isso a desvalorizava.

"No começo, me chamavam sempre para os mesmos papéis. Era abre a porta, fecha a porta, serve o café. Nada contra quem faz isso. Mas eu havia ganhado uma bolsa de estudo em um dos melhores cursos da época e eu ficava pensando que eu poderia explorar melhor isso", afirmou.

A atriz participou de movimentos de intelectuais para inserir mais negros no mercado artístico e expandir as possibilidades e oportunidades. Um deles foi a criação do Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro, em 1987.

"A gente sempre via surgindo artistas brancos, mas os negros eram quase sempre os mesmos. Então, disponibilizávamos o catálogo com quase 500 nomes", contou. Segundo o portal, o projeto está paralisado por falta de patrocínio.

A também cantora celebrou que foi graças ao seu trabalho que conseguiu manter sua vida e "pagando as contas". E não se limitando aos papéis.

"Eu gosto muito da palavra perseverança, porque no fim, é isso que faz com que não desistamos dos nossos sonhos", completou.

Zezé também comemorou, além dos seus mais de 50 anos na arte, o espaço que vem sendo conquistado para a sociedade pensar seus comportamentos racistas, tais como a definição de papéis em filmes e novelas.

"É tão importante falarmos de racismo, desigualdade, que um dia é pouco, precisamos de mais tempo. Isso é uma conquista maravilhosa", encerrou a atriz.

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