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Zezé Motta precisou de terapia após filme: 'Parceiros sempre citavam Xica'

Zezé Motta precisou fazer terapia após protagonizar "Xica da Silva": "Confundiram pessoa com personagem" - Divulgação/ TV Globo
Zezé Motta precisou fazer terapia após protagonizar "Xica da Silva": "Confundiram pessoa com personagem" Imagem: Divulgação/ TV Globo

Do UOL, em São Paulo

22/11/2020 08h42

Zezé Motta contou que precisou fazer terapia após protagonizar "Xica da Silva", em 1976. Segundo ela, "confundiram pessoa com personagem".

Em entrevista ao jornal Extra, a atriz explicou que ficou no imaginário masculino por causa da personagem. "Fui percebendo que era uma fantasia transar com a Xica da Silva porque tinha essa carga forte do filme, da personagem que dançava nua e que enlouquecia os homens. Meus parceiros sexuais tinham uma expectativa de que eu fosse a Mulher-Maravilha na cama", afirmou.

Zezé contou que estava solteira na época em que fez o filme. "Meus parceiros realmente sempre citavam a Xica antes, durante ou depois do sexo (...) Eu me senti no dever de ser a Mulher-Maravilha na cama. Então, eu ficava muito mise-en-scène e esquecia do meu prazer porque não podia decepcionar. Fui parar na análise, claro!", relembrou.

A atriz, hoje com 76 anos, lembrou ainda um episódio de assédio vivido durante uma corrida de táxi. Segundo ela, o homem a reconheceu pela voz, colocou a mão em sua perna e furou os semáforos de trânsito.

"Fiquei em pânico. A minha sorte é que chegando em Copacabana teve um sinal que tinha um guarda, e ele respeitou e parou. Eu fiquei tão em pânico que só abri a porta do carro e saí correndo. Nem falei para o guarda porque eu estava correndo, não fiz queixa, eu queria era sair dali", disse.

Racismo

Na entrevista, Zezé disse ainda acreditar que o racismo no Brasil deixou de ser velado, é "escancarado", e que a luta não pode ser apenas dos negros.

Ela avalia que, em sua época, as novelas tinham pouca presença de atores negros — sempre fazendo papéis subalternos.

"A diferença é que assim que eu comecei, se eu estivesse em uma novela, não tinha espaço para outra negra. Hoje se vê três, quatro, cinco atores negros. Me incomodava ter os mesmos papéis em novela. A gente fazia as serviçais. Não tenho o menor problema em fazer a empregada doméstica, desde que ela faça parte da trama, não fique a reboque dos outros personagens. Eu ficava muito frustrada, pensava, fiz curso de arte dramática no Tablado para abrir porta, fechar porta, servir cafezinho, dizer 'sim senhora', 'não senhora'?", questionou.

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