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Após revelar abuso aos 12, Karen Junqueira monta projeto social: 'Diálogo'

Karen Junqueira revelou ter sido vítima de estupro aos 12 anos - Reprodução/Instagram
Karen Junqueira revelou ter sido vítima de estupro aos 12 anos Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/01/2021 07h58

Há cinco meses, Karen Junqueira revelou publicamente o maior trauma de sua vida: ela foi estuprada pelo pai de uma amiga aos 12 anos de idade. A atriz, atualmente no ar com a reprise de "Haja Coração" (Globo), quer agora atuar para que outras crianças não sejam expostas a essa violência, criando uma campanha de conscientização.

"Antes de decidir publicar a carta aberta (publicada na "Revista Cláudia") eu pensava: 'O meu silêncio não ajuda em nada'. Então, eu quis transformar o que eu vivi em algo positivo. Reparei que, em muitos casos, muitas mulheres abriam a boca depois de uma se posicionar. E vira uma corrente de coragem", começou ela em entrevista para a coluna de Patrícia Kogut, de "O Globo".

Muitas vezes, a pessoa que passa por isso sente medo, culpa, vergonha. Mas quem fez é que cometeu o crime. Depois do meu relato, muitas mães me procuraram, amigas que sequer tinham imaginado que isso havia acontecido comigo... Essas pessoas comentaram que vão ficar mais atentas ao comportamento dos filhos.

Ela prosseguiu: "Também tenho conversado com uma psicóloga que é perita judicial e trabalha com casos parecidos. Ela tem me ajudado a montar a campanha. A ideia é conscientizar os pais para falar em casa sobre educação sexual. Fazer isso não se trata de ensinar precocemente sobre sexo, mas de promover o diálogo. A gente precisa diminuir esse tabu".

A atriz de 37 anos disse que só contou para a família a situação pela qual passou quando já era adulta. "Há muitas crianças que nunca contaram nada aos pais, por vergonha, culpa ou medo de serem ameaçadas. Por que muitas vezes o abusador é um conhecido da família. Eu fiz quase dez anos de terapia e, para mim, foi um processo de libertação falar. Eu tirei um peso das costas", relatou.

Compreendi que as palavras podem ser poderosas também para que isso não volte a acontecer com outras pessoas. Compreendo que cada um tem o seu tempo de superar e entender, mas, quando a criança não tem essa liberdade em casa, depois de adulto vêm os fantasmas. Hoje acredito que temos que massificar essas informações para que cheguem ao ao máximo de pessoas possível.

Encorajamento

A atriz destacou ainda que tem como objetivo encorajar outras mulheres que passaram pelo mesmo trauma a falarem abertamente sobre o assunto. "As estatísticas que são divulgadas se baseiam em quem denuncia. Mas imagina quantos casos deixam de ser contabilizados porque as pessoas se calam? É importante falar para as meninas e para as mulheres: 'Você não está sozinha'".

"Muitas vezes, os anos de silêncio fazem as provas sumirem. Então, se há tempo e possibilidade de colocar um pedófilo na cadeia, por que não? A gente não vai mais ficar calada. Juntas temos um poder muito grande. Talvez, tempos atrás, a gente não tivesse consciência da potência que somos. Se eu puder fazer parte de mais e mais iniciativas para ajudar, vou ficar muito feliz. O que passou está lá atrás. A gente cura da melhor forma", comentou.

Por fim, Karen explicou que sua personagem em "Haja Coração" também serve para fazer o público refletir. Na trama, ela interpreta Jéssica, que a todo momento ofende Shirley (Sabrina Petraglia) por conta de sua deficiência física. "Essa personagem fala de um preconceito contra pessoas com deficiência, algo pouco debatido. Ela se colocava como superior por não ter um defeito físico, não aceitava 'perder' o noivo para a funcionária".

"Estudei livros de Psicologia e acredito que ela era uma sociopata. Eu me lembro que no fim da novela houve até uma enquete para que as pessoas decidissem pelo fim da personagem. E o autor, Daniel Ortiz, decidiu escrever um desfecho que mexesse com o âmago dela. Por isso, Jessica termina desfigurada após um acidente", disse.

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