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Galã dos anos 80, Paulo Castelli trabalha como gerontólogo: 'Me faz feliz'

Paulo Castelli em cena e atualmente, trabalhando como gerontólogo - Reprodução/Arquivo Pessoal
Paulo Castelli em cena e atualmente, trabalhando como gerontólogo Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/01/2021 07h21Atualizada em 28/02/2021 08h33

O ator Paulo Castelli fez enorme sucesso junto ao público que acompanhava as novelas da Globo nos anos 80. Considerado um dos galãs de folhetins como "TiTiTi" e "Roda de Fogo", hoje ele trabalha em um ramo completamente diferente da badalação do passado: a gerontologia.

"Comecei a trabalhar como ator muito jovem. Atuei por mais de 20 anos. Quando fui para TV a minha carreira tomou outra proporção. Lembro de uma ocasião em que não achei vaga dentro do estacionamento da emissora, e deixei o carro na rua. Quando desci do carro, uma multidão foi me cercando. Eu não conseguia mais andar e atravessar a rua. Pensei: 'Meu Deus, o que é isso?'", contou Paulo, de 64 anos, em entrevista para a Quem.

Ele prosseguiu relembrando a história. "Os seguranças da emissora foram me ajudar porque tinha gente querendo puxar até meu cabelo. Nos bailes de debutante também era bem complicado. Havia uma certa histeria", destacou, afirmando que o sucesso nas novelas fez com que ele recebesse convites para presenças vip e eventos como bailes de debutantes.

A exposição fez com que ele procurasse a terapia, e acabou encontrando uma nova profissão. "Comecei a me sentir angustiado com a mudança e a exposição. Precisei do atendimento de um psicólogo para conseguir lidar com aquilo tudo e com o assédio", frisou.

Toda a pessoa que se envolve muito com a mídia, seja ator, cantor ou influenciador, precisa fazer terapia para voltar à sua verdadeira posição, para não se perder e não achar que é um pouco mais que um ser humano. Quando a pessoa começa a se achar, ela comete erros que podem prejudicar até sua carreira. É bom ter alguém capacitado para trabalhar a ansiedade e a carência que as pessoas jogam em você.

Mudando de ares

Foi quando Paulo prestou vestibular e passou a estudar Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. A partir de então, começou a recusar papéis na TV. Seu último trabalho na área foi em 1990 — depois disso, ele se dedicou totalmente a sua nova profissão, sendo conhecido Dr. Paulo Greven, psicólogo e gerontólogo.

"Não houve tomada de decisão e passagem. Não tenho nenhuma queixa da profissão de ator. Foi uma época muito especial. A carreira como psicólogo foi se constituindo na minha vida. Comecei ajudando um amigo na clínica, mas como um hobby. Ainda era contratado da Globo. O trabalho na clínica foi me fascinando e abrindo um novo mundo", comentou.

Ele prosseguiu: "Acabei fazendo vestibular para a PUC em São Paulo. Eu morava no Rio e fazia o bate e volta para conciliar os estudos com as gravações. Acabei o primeiro ano na faculdade e me saí bem. Pensei: 'Agora a faculdade é primordial'. Veio o Plano Collor, perdi muitos projetos por causa disso e lentamente fui me afastando da carreira de ator e não renovando o contrato com a TV".

Depois surgiam propostas tentadoras, mas rejeitei algumas e com o tempo isso foi desaparecendo. Hoje não tenho mais propostas, mas é alívio porque era um sofrimento decidir se eu largaria ou não a profissão.

Atualmente, Paulo tem especialização em geriatria e mantém um hotel para idosos em Barueri ao lado da mulher, a Dra, Sandra Maria Garaude Greven. O ex-ator tem três filhos e uma neta.

"Depois do mestrado em gerontologia, comecei a abraçar mais a causa do idoso. Sou diretor social do Solar Ville Garaude e faço todo o trabalho de social para que as pessoas se sintam bem. Resolvo conflitos, converso com hóspedes que não estão saindo do quarto para fazer com que eles retomem a socialização, organizo as atividades físicas e intelectuais", explicou.

Em seguida, refletiu. "Por meio do trabalho de ator, as pessoas me encheram de carinho. Como psicólogo senti que essa relação de carinho com o outro ficou ainda mais sólida. É lindo poder ajudar as outras pessoas. Muitas pessoas chegam aqui deprimidas, distantes e sem conexão com a realidade, mas se encontram novamente. Rejeitamos o nome 'casa de repouso'. Aqui é um local de renovação, de mostrar seus talentos... Uma senhorinha voltou a tocar violino aqui após anos sem ter contato com o instrumento", celebrou.

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