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'Onde está meu coração': Fábio Assunção levou Leticia Colin à reunião do NA

Amanda ( Leticia Colin) fala sobre a sua dependência em reunião do NA (Narcóticos Anônimos) em "Onde está meu coração" - Globo
Amanda ( Leticia Colin) fala sobre a sua dependência em reunião do NA (Narcóticos Anônimos) em 'Onde está meu coração' Imagem: Globo

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

03/05/2021 16h39

"Onde está meu coração", nova série do Globoplay, escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, estreia amanhã na plataforma digital e terá o primeiro episódio exibido hoje na Tela Quente da Globo.

Leticia Colin interpreta a médica residente Amanda, que após experimentar crack em uma festa, mergulha no vício e passa a viver as angústias da dependência química.

Fábio Assunção e Mariana Lima interpretam o médico David (Fábio Assunção) e Sofia, pais de Amanda. O ator lutou durante anos contra a dependência química, iniciou seu processso de recuperação em 2019, quando a série foi gravada, e ajudou o elenco na preparação para falar sobre drogas.

Era importante a gente mergulhar no tema, era uma preocupação dos autores e direção tratar isso com respeito, com pessoas ligadas a política de drogas, médicos, usuários. Levei a Leticia no NA (Narcóticos Anônimos) para ela conhecer, e a gente fez rodas de partilhas emocionantes, momentos lindos que a gente viveu.

Colin conta que foi enriquecedor para a construção da personagem mergulhar neste universo e as conversas nos bastidores com Fábio Assunção.

"A gente conversou com psiquiatra, teve visita à clínica de tratamento, teve visita ao NA, que pude acompanhar com o Fábio, ele me pegou na mão e a gente foi. O Fábio é uma pessoa maravilhosa, poder conversar com ele é melhor ainda. Ele sabe muito sobre o tema, sobre legislação, tratamentos, uma série de coisas, de uma parte teórica e burocrática".

A atriz diz que a experiência de estudar esse tema e conversar com pessoas envolvidas mudou sua vida. Ela passou a ver com outros olhos os usuários que frequentam a cracolândia de São Paulo após ouvir alguns relatos.

Mudou a minha vida. A gente tem essa mania de apontar de um jeito muito cômodo, por vários motivos. Você olhar no olho e saber que essa pessoa existe, isso é muito potente e transformador. A cracolândia é um espaço de resistência e envolve discussões muito complexas.

'É impressionante como drogas ainda é um tema tabu'

George Moura, um dos autores da série, falou sobre os cuidados que tiveram ao abordar o tema, e ressaltou a dificuldade que a sociedade tem em debatê-lo nos dias de hoje, mesmo sendo tão presente na sociedade.

"Esse tema é tão antigo como a história da humanidade, mas é impressionante como ainda é um tema tabu. Você fala que tem diabetes, mas você não diz 'eu sou dependente químico' porque em geral vem julgamentos em torno disso".

A escolha para a personagem de Leticia Colin ser uma médica, segundo George, foi por ela ter a capacidade de compreender os efeitos nocivos que a dependência química tem, mas ao mesmo tempo, ela não consegue se livrar sozinha do vício.

A ideia central foi não falar da classe médica. 'Onde está meu coração' não é uma série sobre as drogas, é sobre as relações familiares e como a doença da dependência química afeta não só o dependente, mas todo o seu entorno.

Sergio Goldenberg diz que nas classes altas, a dependência química se esconde e aparece mais nos meios populares.

"Não se fala muito sobre o crack, mas ele existe, a gente viu nos grupos de NA e clínicas como ele está presente, mas se esconde. Essa pessoa é enfurnada numa clínica, talvez por isso não seja a classe mais aparente do problema".

A diretora artística, Luísa Lima, destaca que falar do crack na série é uma oportunidade de falar sobre um problema que está presente na sociedade.

"O crack vai para uma região e abre uma oportunidade das pessoas verem que é um problema que toda a sociedade tem que lidar, não é destinado aos fracassados, o que gera bastante preconceito, descaso e violência. É uma oportunidade que isso pode acontecer em uma família, com uma mulher que aparentemente tem tudo para ser feliz e responde a todos os padrões. Isso bagunça muitos preconceitos e ajuda a ver que é uma questão de saúde pública".