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Huck confirma ida aos domingos: 'Desafio mais importante da minha carreira'

Luciano Huck é entrevistado no "Conversa com Bial" - Vídeo/Reprodução
Luciano Huck é entrevistado no "Conversa com Bial" Imagem: Vídeo/Reprodução

Colaboração para o UOL

16/06/2021 02h12Atualizada em 16/06/2021 10h22

Luciano Huck confirmou que que substituirá Faustão nos domingos da Rede Globo a partir de 2022. O marido de Angélica falou também sobre a responsabilidade que o "novo posto" traz.

"Poder fazer um programa popular, que tenha a mensagem positiva, de esperança, que as pessoas se divirtam, se inspiram, se emocionem, eu tô vendo esse desafio como o mais importante da minha carreira e vou dedicar cada dia, cada minuto pra que ele seja um espelho da nossa sociedade e de tudo que a gente tem de bom", disse Huck em entrevista ao "Conversa com Bial" (Globo) de hoje.

"Tenho certeza que eu posso contribuir pro país muito estando nos domingos da Globo, fazendo um programa que se conecte com as pessoas, que ouça as pessoas, que traga as pessoas de volta", complementou.

Luciano confessou ainda não ter conversado com Faustão sobre o tema, mas se disse bastante honrado de substituir o apresentador. "É um privilégio ocupar o horário que ele construiu, asfaltou, plantou as árvores... é um privilégio enorme. Essa conversa vai ser boa no dia que acontecer, tenho certeza que vai ser uma conversa construtiva e de muito respeito."

De acordo com Luciano, o processo de criação do novo programa tem sido muito gostoso. "É que nem você reformar um avião inteiro num vôo sem o passageiro perceber". Questionado por Pedro se apresentaria a nova atração do Rio ou de São Paulo, Huck declarou que a apresentará "do Brasil".

Relação com a política

Com a confirmação, encerra-se o boato que já durava meses. Desde que Fausto Silva anunciou que deixaria a Globo ao fim do seu contrato, em dezembro deste ano, o nome de Huck é especulado como seu substituto. Até então cogitado como possível candidato a presidência da república, Luciano Huck deixou de lado o conhecido projeto ao confirmar as especulações.

A Bial, ele também comentou a escolha. "Acho bom eu deixar a fotografia bem clara e ser o mais franco e o mais sincero possível: eu nunca me lancei candidato a nada, não estaria retirando nada porque nunca me lancei. Eu posso explicar o que vem acontecendo da porta pra dentro. Eu sou um homem da comunicação. Estou há 21 anos, literalmente, rodando o país inteiro por causa do 'Caldeirão do Huck' e isso me colocou diante de uma realidade muito forte, que é a realidade desse país. A televisão me proporcionou conhecer o país de um jeito muito profundo."

"A minha relação é com as pessoas. Eu gosto de ouvir, conversar, mergulhar na história. Realmente me envolvo, de verdade. Pode parecer, nos meus programas, que eu estava impactando a vida das pessoas, mas eu posso garantir que o rio corre na direção oposta. O impactado fui eu, eu me transformei. Meu processo de amadurecimento foi no dia a dia, nas ruas", continuou Huck.

"Conhecer essa realidade do país me fez tentar buscar soluções. E aí vem o destino escrever a história de um jeito estranho. Vem uma pandemia e me tranca em casa por mais de um ano. Eu adoro reunir ideias, pessoas, propor soluções. Minha trajetória até hoje não foi partidária, nem eleitoral, ela foi política. Porque a política transforma".

O apresentador deixou claro contudo que, mesmo não saindo candidato, não deixará o debate público. "Eu não vou deixar esse debate. A gente precisa superar essa divisão do país, essa polarização. Eu vou tá pra sempre nesse debate, enquanto a gente não resgatar a capacidade de dialogar, de construir juntos", declarou Huck. "O Brasil tá tão desorganizado, tão sem noção, que ele tá matando grávida à luz do dia quando ela vai visitar a avó."

Perguntado sobre a chance de sair candidato a presidente no futuro, Huck afirmou que o "futuro a Deus pertence" e que pretende continuar contribuindo para que o país seja um país melhor, mesmo que da televisão. "Minha geração não formou lideranças políticas muito relevantes e eu acho que isso é muito importante. E acho que essa confusão toda que a gente está vivendo no país vai gerar novas lideranças".

2018

Questionado por Pedro Bial, Huck contou ainda por que não saiu candidato em 2018, quando muitos analistas políticos o enxergavam como uma possível "terceira via". "Em 2018, eu disse não porque o sistema tava sofrido. Tava derretido. Eu não consigo enxergar um cargo desse tamanho como uma oportunidade, seria uma irresponsabilidade. O Brasil está sofrendo o que tá sofrendo hoje em dia porque não tem um projeto de país. Não existe vento bom com manual sem rumo", contou.

"Como alguém pode querer ser presidente em qualquer tempo se não tem projeto? Se não sabe o que vai fazer? Uma responsabilidade desse tamanho. Então, em 2018, eu não cogitei porque não era responsável da minha parte fazer isso", continuou Huck, contando que então, passou a pensar como poderia contribuir para o país como cidadão ativo.

"Pra um cara como eu, que não tá na política, participar de uma eleição como candidato, é muito mais um chamamento da sociedade. Eu não tenho essa vaidade, eu não tenho esse desejo de poder. Eu sempre tive muita influência, mas eu nunca tive esse desejo incontrolável de poder. Eu sempre tive esse desejo incontrolável de participar", declarou Luciano, que ainda revelou em quem foi o seu voto na referida eleição presidencial.

Angélica

Durante a entrevista, Luciano Huck reviu cenas do começo de sua trajetória como apresentador do Caldeirão, onde viajou para Fernando de Noronha com Angélica, quando ela ainda tinha apenas 26 anos. Bial classificou o caso como o "xaveco mais bem-sucedido de todos os tempos".

"Foi amor à primeira vista, eu fiquei xavecando ela durante a matéria. Eu tô literalmente encantado. Eu jamais poderia falar isso na televisão", contou Huck, ficando sem graça. "A Angélica foi o melhor presente que a vida me deu. O destino ter nos cruzado em algum momento foi um presente da vida. É uma mulher que me faz melhor a cada dia, que potencializa o melhor de mim. (...) Ela me ensinou a respirar, a me acalmar".

Acidente com os filhos

Luciano Huck falou rapidamente sobre o acidente que sofreu com os filhos em 2015, quando uma aeronave onde eles estavam precisou fazer um pouso forçado.

"Eu realmente acho que eu nasci duas vezes. Nasci em 3 de setembro de 71 em São Paulo e depois a gente nasce de novo no dia 24 de maio de 2015, a 130 km de Campo Grande. Quando passou a história toda, as crianças eram muito pequenas. A gente chamou elas pra conversar semanas depois", começou o apresentador, contando que, na conversa, ele e Angélica convidaram os filhos a partilharem com eles seus medos e angústias.

"A vida não é sobre que a gente junta, é o que a gente espalha. Foi uma mudança no meu modo de enxergar a vida. Deus foi tão generoso de me deixar aqui. E mais do que isso, de deixar toda a minha família aqui, sem nenhum tipo de sequela. O que eu posso fazer diferente? E desde aquele dia, tanto eu quanto Angélica, a gente tem mudado a forma de ver o outro. E por outro lado, valorizando cada minuto das nossas crianças".

Ele ainda comentou um acidente mais recente, que Benício sofreu em um fim de semana em Ilha Grande. "O que a gente viveu ali com a Beni, aquela noite que a gente passou, eu e a Angélica, esperando ele voltar da cirurgia. É de uma angústia de ver uma mãe desesperada, rezando, literalmente, durante mais de quatro horas, quase cinco horas... O acidente do Beni deu uma importância a espiritualidade, a essa conexão com o que está além, que foi muito importante pra gente".

Documentário e livro

Durante o bate papo com Bial, Luciano Huck comentou também a respeito de dois novos projetos. O primeiro é o documentário já lançado na Globoplay, "2021: o ano que não começou". Com entrevistas de nomes conceituados, o longa tem o objetivo de discutir a pandemia e seus reflexos na sociedade, lançando uma luz sobre como a Covid-19 impacta tanto a atual geração quanto as futuras.

O segundo projeto é um livro ainda não lançado, intitulado "De porta em porta". Já escrita, a obra discorre sobre a vida e obra de Luciano Huck, com um foco em sua jornada. "Esse livro traz de um lado os aprendizados da porta pra fora, as conversas que eu tive durante a pandemia e da porta pra dentro, várias reflexões que eu pude parar ao longo desse tempo, do isolamento, em que a gente pode ficar mais junto da família", contou Huck.

O "Conversa com Bial" vai ao ar de segunda a sexta-feira, após o "Jornal da Globo".