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UCB rebate piada de Murilo Couto sobre atropelar ciclistas: 'Inadmissível'

"No caso de ciclista, eu apoio o motorista de ônibus que atropela", diz Murilo Couto em vídeo - Reprodução Internet
"No caso de ciclista, eu apoio o motorista de ônibus que atropela", diz Murilo Couto em vídeo Imagem: Reprodução Internet

Colaboração UOL, em São Paulo

12/07/2021 19h47Atualizada em 13/07/2021 11h11

Um vídeo de stand-up do humorista Murilo Couto que começou a circular nas redes está causando polêmica. Nele, o humorista brinca com a atividade e até com as roupas utilizadas para a prática, além de dizer que apoia os motoristas que atropelam ciclistas.

"Tu é aquele ciclista pau no c* que anda com aquelas roupas, parecendo um Teletubbie?", diz o comediante no show em direção a uma pessoa da plateia.

Na sequência, ele faz piada e critica os usuários do transporte que andam entre os carros. "No caso de ciclista, eu apoio o motorista de ônibus que atropela. Sai da frente, saúde é o c******. Seis da manhã na faixa de carro?", brinca.

O vídeo causou revolta em praticantes da atividade e gerou reação da UCB (União de Ciclistas do Brasil), que publicou uma nota de repúdio em suas redes sociais, indicando ser "inadmissível a expressão de discursos que incentivem o ódio e a violência contra quem quer que seja".

Veja a nota na íntegra:

"Recentemente, recebemos um vídeo de um show "stand up comedy", onde o humorista Murilo Couto ridiculariza ciclistas e afirma que
motoristas de ônibus tem "razão para atropelar ciclistas, porque eles atrapalham, já que ônibus andam a 80km/h e ciclistas a 20 km/h".
Ainda satiriza falas de ciclistas que pontuam ter direito de estarem na via.

Ficamos alarmados que uma pessoa pública estimule que um motorista possa vir a ferir ou matar um ciclista. Acreditamos na liberdade de expressão como princípio fundamental da democracia, mas é inadmissível a expressão de discursos que incentivem o ódio e a violência contra quem quer que seja.

As estatísticas de feridos e mortos no trânsito no Brasil é uma das piores no mundo. Durante a pandemia, mesmo com a redução do volume
de veículos motorizados nas ruas das cidades, o número de mortes não reduziu, ou seja, o trânsito ficou ainda mais violento. Segundo
dados do Data-SUS, em 2019 foram mais de 30 mil mortes, e em 2020 foram pagas mais de 33 mil indenizações por morte pela seguradora
Líder, responsável pela operação do Seguro DPVAT.

Estima-se que a cada morte, outras 70 lesões acontecem e outras 15 pessoas necessitam de hospitalização, decorrentes de sinistros de trânsito, segundo relatos da Organização Panamericana de Saúde (OPAS).

É importante ressaltar que a principal infração de trânsito no Brasil é o excesso de velocidade, sendo o fator de risco proeminente na
causa das mortes. Precisamos reduzir as velocidades nas nossas cidades, criando ambientes favoráveis à vida.

A UCB como organização que tem a missão de promover políticas públicas para promoção da bicicleta enquanto meio de transporte, reconhece que as velocidades máximas praticadas nas cidades (acima de 50km/h) são um dos grandes motivos para a morte dos mais de 25 mil ciclistas* no Brasil (desde 1998 até o momento atual)".

Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto identificava a organização como UBC (União Brasileira dos Ciclistas). Na verdade, trata-se da UCB: União de Ciclistas do Brasil. A informação já foi corrigida.