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Brasileira diz que príncipe de Mônaco pediu para abortar filha: 'Ele sumiu'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/08/2021 21h45Atualizada em 02/08/2021 13h50

A brasileira que entrou na Justiça contra o príncipe Albert II de Mônaco para o reconhecimento da paternidade de sua filha de 15 anos está no aguardo de uma nova audiência para exigir o exame de DNA. Ela diz que o monarca não tinha o desejo de ser pai quando descobriu a gravidez e lhe pediu para realizar um aborto.

"[Tudo tramita em] sigilo que eles pediram. Vai ter audiência agora e espero que o juiz peça o exame de DNA", contou a mulher, que não teve o nome revelado, ao "Domingo Espetacular", da RecordTV.

A história

O primeiro contato da mulher com o monarca aconteceu no Brasil, em 2004, em uma discoteca famosa do Rio de Janeiro. Ele, no entanto, nunca revelou seu verdadeiro nome para a brasileira.

Eu trabalhava no Rio de Janeiro. Em uma discoteca famosa de Copacabana. Chegou como uma pessoa normal... O nome dele era Erik ou ele pedia pra chamar ele de "Dove" ou "Baby".

Eles engataram um romance e passaram 30 dias viajando por Portugal, Itália, Rússia e Mônaco. Em solo francês, a mulher contou que não percebeu nenhum sinal de que estava ao lado de um dos homens mais poderosos do mundo.

Na época, ele ainda não era príncipe, né. Lá ele caminhava como uma pessoa normal. Até hoje falam que é normal encontrar com eles lá caminhando como pessoas normais. Ninguém aborda. São pessoas comuns.

Ela voltou ao Brasil para seguir com sua vida, mas manteve contato com o monarca por telefone e email. A relação, no entanto, estremeceu com a descoberta da gravidez e o pedido de aborto.

Quando descobri que estava grávida, falei "estou grávida" e ele pegou e sumiu, desapareceu. Ele não queria ter filho e pediu para fazer o aborto... Foi difícil. Eu trabalhei durante os nove meses de gestação.

Segundo a brasileira, o príncipe Albert II ainda a procurou quando a criança estava com três meses de vida. Ela, porém, o mandou sumir devido à mágoa de ter sido abandonada durante a gravidez.

Ele perguntou para mim se eu tinha tido a filha, falei que sim e perguntou se eu queria encontrar com ele. Eu tava muito triste, muito chateada com toda a situação que aconteceu e tava [tentando] reconstruir a minha vida. Eu pedi para ele sumir e desaparecer. Não sabia que ele [era o príncipe]. Cheguei a procurar na internet os nomes que ele passava, mas [não deu em] nada. Ele nunca deu o nome verdadeiro para mim.

Descoberta da identidade do príncipe

Em 2019, a brasileira recebeu um amigo que estava junto a uma pessoa de Mônaco. Durante o papo sobre sua experiência em solo francês, a mulher ouviu brincadeira sobre o príncipe de Mônaco ser o possível pai da criança e uma rápida pesquisa na internet a fez reconhecer a verdadeira identidade do homem que havia se relacionado em 2004.

Eu tava com um amigo meu que estava com uma pessoa que era de Mônaco. Falei: 'ah, poxa, legal' e contei: 'a primeira vez que fui a Mônaco foi com o pai da minha filha. Só que depois que engravidei ele sumiu e desapareceu'. Esse meu amigo brincando comigo, disse 'não é que o pai da sua filha é o príncipe Albert de Mônaco'. Aí, entrei no Google, vi a foto dele e reconheci imediatamente.

De acordo a mulher, o seu desejo é apenas que o monarca faça o reconhecimento da filha e procure conhecê-la. Ela, inclusive, diz estar disposta a assinar um acordo abrindo mão do dinheiro para realizar o desejo da criança em ver o pai.

Eu quero que ela tenha o pai dela que sempre quis. Até conversei com o advogado e falei: 'olhe, eu poderia até pegar e renunciar a qualquer coisa, não quero nada. O que passou, passou'.

Atualmente, o monarca é casado com a ex-nadadora olímpica Charlene Wittstock e são pais dos gêmeos Jaime e Gabriela, de seis anos.

Manifestação dos advogados do príncipe

Os advogados do príncipe Albert II foram procurados pelo "Domingo Espetacular", mas responderam que não iriam se pronunciar. Eles comentaram que o procedimento não é baseado em nenhum fato tangível e nenhuma evidência real, obviamente, não foi trazido pelo requerente.

A brasileira não é a primeira mulher que pede o reconhecimento de paternidade do príncipe. Nos últimos anos, após mães ingressarem com ação judicial, Albert reconheceu dois filhos (Jazmin e Alexandre) como legítimos.

Segundo a constituição do principado de Mônaco, os filhos fora do casamento não têm direito ao título da nobreza. Eles teriam direito somente à herança do pai — que está avaliada em 894 milhões de euros (cerca de R$ 5 bilhões).