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Repórter barrada no Planalto já foi interrompida por Pazuello em coletiva

A repórter Nathalia Fruet  - Reprodução/Instagram
A repórter Nathalia Fruet Imagem: Reprodução/Instagram

Laysa Zanetti

Do UOL, em São Paulo

21/09/2021 12h03

Barrada por seguranças do Palácio do Planalto por usar uma bermuda de alfaiataria ao invés de calças ou saia, a repórter do SBT Nathalia Fruet é gaúcha e setorista da presidência da república, para o "SBT Brasil", desde agosto de 2020.

Antes de entrar para a equipe de jornalismo do SBT, no entanto, Nathalia atuou entre 2013 e 2020 na RBS TV, afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul, e também trabalhou durante cinco anos na Bandnews FM e na Band TV, da capital gaúcha.

Foi pela emissora, aliás, que Nathalia fez sua primeira cobertura em Brasília, e acabou gostando da cidade que, alguns anos mais tarde, se tornaria sua base.

Nathalia foi barrada de entrar no Palácio do Planalto ontem, dia 20 de setembro, e a confusão repercutiu por ela precisar voltar para casa e trocar de roupa. Em seu Instagram, ela anunciou:

Aviso de utilidade pública: bermuda feminina de alfaiataria faz parte da vestimenta das mulheres para trajes de trabalho e sociais. Hoje, precisei voltar pra casa e trocar de roupa pra transitar no Planalto. Inacreditável.

'O problema foi a forma'

Mais tarde, nos Stories, Nathalia deu mais detalhes sobre o fato de ter sido barrada e explicou por que a situação causou constrangimento.

Se tem uma regra, ela tem que ser cumprida, beleza. O problema foi a forma. Eu já havia entrado no Planalto e ninguém tinha me barrado, e eu estava indo ao Comitê de Imprensa, tinha deixado as minhas coisas lá, pegado meu cartão do vale refeição e meu celular. Foi na volta do almoço que eu fui barrada em uma das portarias.

A repórter do SBT Nathalia Fruet trocou de roupa para entrar no Palácio do Planalto - Imagem: Reprodução/SBT - Imagem: Reprodução/SBT
A repórter do SBT Nathalia Fruet trocou de roupa para entrar no Palácio do Planalto
Imagem: Imagem: Reprodução/SBT

Nathalia conta que, para voltar para casa e trocar de roupa, ou até mesmo comprar outra peça, ela precisaria voltar ao Comitê de Imprensa e pegar suas chaves ou a carteira. No entanto, os seguranças não queriam deixar que ela entrasse no prédio para buscar seus pertences.

A minha reclamação foi que faltou bom senso, porque eu gastei meia hora barrada na portaria para conseguir que alguém liberasse, e a liberação aconteceu desde que eu fosse acompanhada por alguém do GSI [Gabinete de Segurança Institucional]. O que pegou mal foi a forma, e não a norma.

O UOL entrou em contato com a equipe do Palácio do Planalto ontem e hoje, mas não obteve um posicionamento sobre a ação dos seguranças.

Discussão com Pazuello

Em janeiro deste ano, a repórter já havia virado notícia quando, durante uma coletiva de imprensa, foi interrompida pelo então Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, quando tentava fazer uma pergunta.

Durante a ocasião, Fruet abre a pergunta: "O senhor falou em atendimento precoce, e não citou mais a cloroquina", ao que Pazuello interrompe afirmando não ter ouvido a pergunta.

Em seguida, ele argumenta: "Eu não falei isso, senhora. Eu não usei esse termo nenhuma vez", e faz algumas interrupções enquanto ela tenta concluir a pergunta. Pazuello chega a abaixar a máscara e explicar que não está ouvindo o que ela diz.

Em seu Instagram, Nathalia também se manifestou sobre a discussão. Ela afirmou:

Nota de utilidade pública: REPÓRTER É PAGO PRA PERGUNTAR! É o que a gente aprende no primeiro dia de aula na Universidade e vale reforçar, porque tem gente que não gosta que sejam feitas perguntas.

Paixão de infância

Nascida em Caxias do Sul, Nathalia é a mais velha de três irmãos, e sonhava desde criança em ser repórter. Chegou a cogitar cursar direito na faculdade, mas acabou optando pela área da comunicação, e se formou pela Universidade de Caxias do Sul, em 2007.

Antes de começar a cobrir política em Brasília, Fruet teve várias experiências memoráveis nos bastidores da profissão. Em 2013, cobriu in loco a tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria. No mesmo ano, cobriu os protestos que tomaram as ruas de todo o Brasil e, no ano seguinte, trabalhou na cobertura da Copa do Mundo.

Ela recorda que, durante o evento esportivo, acabou sendo vítima de uma "moda" da época, quando torcedores começaram a beijar repórteres que estavam trabalhando ao vivo.

De lá para cá, começou toda uma discussão sobre o papel da mulher e empoderamento. Me identifico também com isso, de poder ser uma jornalista. Costumo dizer que nos lugares que trabalhei, sempre fui tachada de brava, mas os colegas homens, que também eram, não eram creditados assim, contou para o portal Coletiva.net.

Em seu Instagram, a repórter compartilha momentos de sua vida profissional e das horas de lazer, e se descreve como uma pessoa "apaixonada pela vida e fã de futebol e basquete".