PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Fefito


Série da HBO que ajudou a prender assassino impune é investigação minuciosa

Michelle McNamara, autora do livro que inspirou "I"ll Be Gone In The Dark" - Reprodução
Michelle McNamara, autora do livro que inspirou "I'll Be Gone In The Dark" Imagem: Reprodução
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

24/07/2020 17h06

Resumo da notícia

  • "I'll Be Gone In The Dark" fez com que serial killer, impune há décadas, confessasse crimes
  • HBO também detalha caso adaptado na segunda temporada de "Mindhunter", da Netflix
  • Produções do canal pago fizeram com que casos fossem reabertos pela polícia americana

A HBO decidiu bater de frente com a Netflix no campo das séries documentais sobre crimes reais. O canal pago, que já teve ótimas produções do gênero, como "The Jinx", exibe atualmente "I'll Be Gone In The Dark" ("Sumirei na Escuridão", em tradução livre), minuciosa investigação sobre os constantes casos de estupro em uma cidade da Califórnia. Um homem misterioso invadia casas durante madrugadas e abusava das mulheres, muitas vezes na frente de seus maridos. De tão impune ao logo de anos, o bandido evoluiu para o status de serial killer e passou a cometer assassinatos que ficaram sem solução por décadas.

Até que veio Michelle McNarama, escritora obcecada por crimes, que decidiu investigar ela mesma o caso. Obstinada, a autora deixou de lado por vezes a própria família - ela era casada com o ator Patton Oswalt - para mergulhar na história. Conseguiu acesso a caixas de documentos da polícia, entrevistou vítimas, descobriu outros obcecados pelo caso. De tão soterrada pelo trabalho, passou a tomar remédios e morreu antes de deixar pronto seu livro e conhecer a verdadeira identidade do assassino. O trabalho de Michelle, no entanto, foi fundamental para que, décadas depois, a polícia americana prendesse Joseph James DeAngelo Jr., hoje com 74 anos.

O livro foi finalizado por amigos e a investigação ajudou as autoridades. A obra levou a HBO a transformá-la em série documental com moldes um pouco diferentes do comum. Na produção, acompanhamos em paralelo a história de Michelle e sua investigação. É um trabalho admirável, coroado com a confissão do serial killer na semana de seu lançamento.

Outra boa série documental da HBO é "Atlanta's Missing and Murdered: The Lost Children", que relembra o caso dos desaparecimentos e mortes de várias crianças negras na cidade americana, nos anos 70. A história chegou a servir como trama da segunda temporada de "Mindhunter", da Netflix, mas ganha ainda mais detalhes no documentário, que não se furta a apontar possíveis culpados, livres até hoje. Por causa da pressão popular, o caso foi reaberto e está sendo reinvestigado, décadas depois. Que tenha desfecho tão positivo quanto o de "I'll Be Gone In The Dark". Criminosos não devem ficar impunes.

Fefito