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Leo Dias


Alok: "Não quero ser lembrado só por minha música, mas por minhas atitudes"

DJ Alok se apresenta durante o Rock in Rio no Parque Olímpico - Mauro Pimentel/AFP
DJ Alok se apresenta durante o Rock in Rio no Parque Olímpico Imagem: Mauro Pimentel/AFP
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

28/09/2019 07h00

Atração responsável por abrir os shows do Palco Mundo nesta edição do Rock in Rio, Alok agitou a Cidade do Rock nesta sexta (27) ao misturar hits e interagir com o público, produzindo um belíssimo espetáculo visual com luzes de milhares de celulares. Mas nem só de música foi marcada a apresentação do DJ mais conhecido do país e com projeção internacional. Alok apostou em mensagens de positividade, pautadas no amor e no próximo. O DJ diz que não quer ser lembrado apenas por sua música, mas também por suas atitudes e a transformação que elas podem gerar na vida dos outros. "Não estou preocupado se a geração vai ficar ouvindo Alok o tempo todo, mas, sim, que seja tudo isso junto, a música, os projetos sociais, transformar a vida das pessoas de alguma forma positiva", diz.

Através da música, ele acredita, já estar atingindo esse objetivo, às vezes, de forma inexplicável. Alok conta que sua música já até ajudou pessoas a superar graves doença. "Já ouvi de pessoas 'você me ajudou a vencer o câncer', e eu perguntei 'como?'. Elas me responderam que foi com a música.", diz, apesar de ter a consciência que seu trabalho não é milagroso. "Claro que eu não estou falando que minha música foi a salvação, mas foi um instrumento a mais de combate naquele momento difícil.", explica.

De força para superação, Alok entende bem. O DJ, que revelou recentemente que sofreu de depressão, conta que enfrentou o transtorno em três épocas distintas da via: na pré-adolescência, quando tinha 11 anos e preferia o isolamento; aos 16, quando se questionava sobre o que iria viver, inclusive no pós-morte; e também aos 24, época em que, já bem-sucedido e realizado, passou a se perguntar sobre o sentido da vida. Ele tinha tudo, mas se sentia infeliz.

A resposta contra a insatisfação veio, diz ele, quando percebeu que ajudar o próximo, fazer o bem, dava-lhe sentido à vida. "Sabe quando ficou mais claro para mim? Quando comecei a fazer as ações sociais que faço e comecei a ver o retorno na minha própria vida, não só profissional, mas em relação a ver tudo que acontece de mágico após estar fazendo essas ações.", diz.

Feliz com a carreira e a vida que tem construído, e à espera do primeiro filho, fruto do relacionamento com a médica Romana Novais, Alok diz, acredite, não ter noção do que é sua carreira, porque "vive em uma bolha, muito dentro de casa e dedicado ao trabalho". Mas, ao ser perguntado sobre sua popularidade, ele aponta as crianças como seu maior termômetro e diz ainda ficar meio que sem acreditar muito ao ver o tão longe que sua música chegou. "A música é muito louca. 'Hear me now' é uma música que me pergunto "o que aconteceu?", pois foi [sucesso] no mundo inteiro. Fico pensando: sonhei, almejei aquilo, mas quando acontece, quando se materializa, é lindo, pois você realmente vê a sua música chegando a lugares que você jamais imaginaria e conquistando pessoas.", finaliza.

Leia a entrevista com o DJ Alok.

COLUNA LEO DIAS - Em que momento você percebeu que se tornou popular?

Quando eu vejo criança curtindo. Se eu fosse focar no público infantil, eu teria que ser infantil, concorda? Só que eu não sou infantil. Eu sou eu. E [mesmo assim] as crianças ficam curtindo e apresentam para os pais e os pais mostram para os tios. A música é muito louca. Por exemplo, 'Hear me now' é uma música que me pergunto "o que aconteceu?", pois foi [sucesso] no mundo inteiro. Fico pensando: sonhei, almejei aquilo, mas quando acontece, quando se materializa, é lindo, pois você realmente vê a sua música chegando a lugares que você jamais imaginaria e conquistando pessoas. Não só em relação à música, mas já ouvi de pessoas "você me ajudou a vencer o câncer". Eu perguntei "como?". E elas me respondem que foi com a música. Claro que eu não estou falando que minha música foi a salvação, mas foi um instrumento a mais de combate naquele momento difícil. Acho que a música é muito isso: trilha sonora para nossa vida. Música que remetem a gente a sentimentos, momentos, lembranças.

Como você tem essa percepção?

Ainda vivo em uma bolha. Vivo muito dentro de casa e dedicado ao trabalho. Ando muito pouco na rua porque quando estou no Brasil meu estúdio é em casa. Fora do país é onde saio mais. Para te falar a verdade, não tenho noção do que é a minha carreira.

Você sabe que já tem uma geração de fãs que cresceu ouvindo Alok. O que isso simboliza para você?

É saber que com essa carreira, com essa visibilidade, eu consigo fazer um trabalho paralelo que pode trazer dignidade a vidas humanas. Isso me traz preenchimento no coração como se a vida tivesse sentido. É a minha verdade. Antigamente, quando via pessoas fazendo trabalho filantrópico não entendia e até julgava. Para que uma pessoa vai abrir mão da vida dela para fazer trabalho filantrópico? Hoje, porém, é muito claro, é muito óbvio [para mim]. A primeira vez que fiz um trabalho mais profundo [nesse sentido] foi quando eu estava com uma depressão muito séria, há quatro anos.

Roberto Filho/Brazil News
Imagem: Roberto Filho/Brazil News

Como veio a depressão? Qual foi o sinal dela?

A depressão tem vários graus. Ela vai ficando cada vez mais profunda. Essa foi a terceira vez que eu tive. A primeira vez eu tinha 11 anos e ninguém entendia naquela época. Eu era a vítima e me escondia porque eu chorava sozinho e fazia tudo sozinho. A segunda vez foi com 16 anos. Foi muito parecido. O mesmo ponto de gatilho porque questionava o que aconteceria após a morte. Não conseguia viver o agora. Aos 24 anos foi quando tive tudo que pensava que era sucesso. Falei: "quer dizer, então, que cheguei onde estou e é só isso? E agora? É esse o propósito? É você ter um bem material? Uma casa, carro. É isso? Acabou a minha vida? Não tem mais sentindo nenhum?". Foi quando comecei a ir em busca de um sentido para a vida, e o que entendi é que, na verdade, o meu questionamento sobre a morte não era saber do que vinha depois dela, mas por que estamos aqui.

E essa resposta veio através de quê?

Para mim, é muito claro. Eu não consigo simplesmente olhar para tudo isso que acontece e achar que isso é uma mera coincidência do acaso. Existe sim algo muito maior que rege. Sabe onde foi algo mais claro para mim? Foi quando comecei a fazer as ações [sociais] que faço e começar a ver o retorno na minha própria vida, não só profissional, mas em relação a ver tudo que acontece de mágico após estar fazendo essas ações. É como se o universo estivesse conspirando.

Como é que o universo conspira?

Por exemplo, esses dias, voltei da África e tive alguns problemas por lá. Fiz um show totalmente beneficente, e o contratante não me pagou. Mesmo assim, fiz minha doação como eu faço todos os anos. Quando cheguei ao Brasil, um rapaz ficou sabendo que eu estava em Salvador e foi até o hotel em que eu estava hospedado. Ele disse que fazia um projeto lá no sertão da Bahia, a seis horas de Salvador, e eu resolvi visitar. Ao chegar, olhei o local e decidi levantar uma Vila da Esperança. Fiz um post pedindo ajuda em prol deste centro. Recebi tanta ligação. Tantas pessoas se prontificando a me ajudar. Nunca me emocionei tanto com isso, porque é como se eu estivesse vendo meu caminho, o meu propósito acontecendo. Tenho muito isso porque não estou preocupado se a geração vai ficar ouvindo Alok o tempo todo, mas, sim, que seja tudo isso junto, a música, os projetos sociais, transformar a vida das pessoas de alguma forma positiva porque, no fundo, qual é o sentido da vida? Ir em frente. Mas ir em frente de uma forma que a gente consiga pensar no coletivo. Sempre pensar que você não está só e, sim, que faz parte de algo maior.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leo Dias