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Leo Dias


Leo Dias

Como Henrique e Juliano alcançaram 1 bilhão de streamings no novo álbum?

Henrique e Juliano - Divulgação
Henrique e Juliano Imagem: Divulgação
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

19/05/2020 10h51

Estamos em maio, em meio a uma pandemia, mas já é possível afirmar com todas as letras, tendo em vista o cenário da música atual, que o álbum número 1 do Brasil em 2020 é o de Henrique e Juliano, gravado em 19 de novembro do ano passado no Ibirapuera (SP), e que já alcançou marcas históricas.

Nas plataformas de streamings, eles alcançaram a inacreditável marca de 1 bilhão de downloads com este trabalho. No Youtube, foram 650 milhões de visualizações. Certamente, nenhum artista alcançará esses números em um ano como esse.

Foram 22 músicas ao todo e eles conseguiram emplacar todas elas na lista das mais baixadas. Isso mesmo, todas. A estratégia foi a seguinte: lançar uma música a cada semana. E mais: que a primeira canção a ser lançada fosse a melhor de todas. Aquele tiro certo. O impulso inicial seria fundamental. E foi! "Liberdade provisória" se tornou um fenômeno em poucos dias e já acumula 200 milhões de visualizações no YouTube.

Veja só como eles fizeram: lançaram "Liberdade provisória" primeiro nas plataformas digitais (dia 6 de dezembro), dois dias depois na TV e no dia seguinte para a imprensa e rádios. Foram vários lançamentos de uma mesma música, para gerar um impacto maior.

E o lançamento de uma nova música a cada semana criou uma rotina no público. Imagine só: durante cinco meses e meio (praticamente metade de um ano) o público recebe nova uma canção. Acaba se tornando um hábito. E foi isso o que aconteceu. Já nas primeiras semanas, os números da dupla apareciam fora da curva e deixavam a todos analistas de música de boca aberta.

O mais curioso disso tudo é analisar a dupla Henrique e Juliano. Vamos lá: eles não vivem nos polos de música do Brasil: Goiânia e São Paulo. Eles se isolaram em Tocantins e de lá não saem. Eles não são figuras de rede sociais. O Instagram oficial da dupla não mostra nada da intimidade deles, até porque eles odeiam isso. É só imagem de show. Um Instagram monótono e monotemático. Raramente eles aparecem em TV ou dão entrevista. Este colunista que vos escreve só conseguiu entrevistá-los juntos em apenas uma ocasião e recebeu, no ano passado, uma ligação em vídeo de Henrique para esclarecer uma polêmica. Nada mais.

E o mais impressionante: Henrique e Juliano não têm gravadora. Este álbum é um trabalho independente, não tem nenhuma marca de renome por trás, nem dezenas de profissionais das mais diferentes áreas envolvidos no lançamento. É claro que houve um investimento na divulgação, mas eles simplesmente acabaram com a porcentagem das gravadoras., fazendo que o lucro deles se tornasse bem maior.

Um outro ponto é importante ressaltar: o trabalho do produtor musical Eduardo Pepato, de apenas 33 anos. Ele começou a vida como office boy e não sai da lista das mais tocadas no Brasil há pelo menos cinco anos. Pepato assinou, simplesmente, o mais recente trabalho de Marília Mendonça.

Resumo: essa é a receita do sucesso de Henrique e Juliano. Admito, uma receita meio inexplicável, né? Eu prefiro atribuir a dois fatores: muito trabalho e Deus.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leo Dias