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Leo Dias


O empresário que transformou uma missão de fé num 'case' da música gospel

Nelson Tristão é empresário da ONI Music - Divulgação
Nelson Tristão é empresário da ONI Music Imagem: Divulgação
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

25/05/2020 12h21

Há 15 anos surgia, em Belo Horizonte, simultaneamente à explosão da venda de CDs, uma gravadora especializada em um único tipo de música, a ONI Music, que trabalharia apenas com artistas gospel. Isso soava estranho para o mercado na época. As grandes gravadoras duvidavam que esse modelo daria certo, até porque pouco se sabia sobre esse público consumidor.

No entanto, o empresário do segmento de couro Nelson Tristão não via naquele modesto empreendimento um negócio, mas, sim, uma missão. Algo que dinheiro algum poderia explicar.

"O modelo de negócio da gravadora é o seguinte: entender cada artista cristão e desenvolver um trabalho customizado. Esse é o grande diferencial da gravadora, é um som que alimenta as pessoas", explica Tristão.

Desde 1980, fiel da Igreja Batista de Belo Horizonte, Tristão viu a capital mineira se tornar o epicentro da música cristã no Brasil, que começava a ganhar força e respeito, mas permanecia sendo ignorada pelas grandes gravadoras.

Mas, como em toda história, há um divisor de águas. E uma banda chamada Diante do Trono, de Ana Paula Valadão, transformou para sempre o mercado de música voltada para a palavra de Deus. Não mais que de repente o país começou a perceber a força do povo cristão. O álbum do grupo que tinha previsão de venda de 10 mil cópias atingiu impressionantes 1 milhão.

Nesse momento, as gravadoras perceberam que ignoravam um público relevante e, principalmente, fiel.

Chega 2010, e o IBGE transforma em números o que as ruas já deixavam claro: o Brasil possuía uma população de 25% de evangélicos. Um quarto do Brasil que não podia ser ignorado. Imediatamente, Universal Music, Warner Music, Sony e Som Livre lançaram selos especializados em música cristã. Todos correndo contra o tempo.

E Nelson Tristão? O país, finalmente, percebia o pioneirismo e a visão do mineiro.

Em conversa com a Coluna Leo Dias, Tristão minimiza seu valor e sua importância na história da música gospel, mas admite que desde o segundo mês já se sustentava. A ONI Music já dava lucro.

Hoje, a empresa é uma potência no país, com 85 artistas. E entre as 20 músicas cristãs mais tocadas no Brasil, em média entre sete e dez são da ONI Music.

Tristão sabe o valor de ter chegado na frente de todos, mas nunca esquece o seu propósito inicial: "Continuo com a minha missão de levar a palavra Dele. Esse será sempre o objetivo", diz.

Leo Dias