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Leo Dias


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Projota: 'Descobri que era negro quando a polícia me parava semanalmente'

Projota - Aline Arruda/Netflix
Projota Imagem: Aline Arruda/Netflix
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

25/05/2020 10h52

Filho de um homem negro e uma mulher branca, Projota cresceu junto com a família materna e sempre brincava com os primos, que são brancos, no quintal de casa. Quando chegou na adolescência, o cantor começou a andar por outras ruas e, durante conversa com a imprensa no lançamento do seu novo clipe "Ombrim", ficou com a voz embargada ao relembrar que foi só aí que percebeu que recebia um tratamento diferente por ser negro.

Por isso, quando o artista viu a notícia da morte do jovem João Pedro, de 14 anos, baleado enquanto brincava no quintal de casa em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, relembrou seu passado na favela onde morava em São Paulo.

"Ver uma notícia assim me traz muito ódio com lembranças e sentimento que eu tento esquecer. Na minha vida eu tive que descobrir que era negro porque sou filho de um homem preto com uma mulher branca e cresci com a parte materna da minha família. Com 16 anos, quando comecei a andar por outras ruas, era parado pela polícia semanalmente e meu irmão, que é branco, só foi parado três vezes na vida, e não conseguia entender isso. Foi aí que entendi que eu era negro", relembra Projota emocionado e cita um episódio específico da sua adolescência que o marcou:

"Estava andando na rua, na quebrada onde eu vivia, com um grupo de amigos: três negros e um branco de olho azul. A polícia chegou, puxou meu amigo e perguntou se a gente estava sequestrando ele... Não tinha como eu não ser cantor de rap. Mas eu canto isso há 20 anos e nada muda, outros meninos sofrem por isso a ponto de perder a vida. Sinto que estamos fracassando", diz o cantor.

*Com reportagem de Kátia Gonçalves

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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