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Ricardo Feltrin

Análise: Erros da Record devolvem ao SBT 2º lugar no ibope em SP e no país

Munir Chatak/Rede Record
Reprise de "Os Dez Mandamentos" no início da noite não alavancou ibope da Record; pelo contrário Imagem: Munir Chatak/Rede Record
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

03/09/2017 12h06Atualizada em 03/09/2017 12h17

Agosto não terminou nada bem para a Record.

A emissora sediada na Barra Funda (SP) viu o SBT disparar na audiência média das 24 horas, segundo informou com exclusividade ontem o site “Notícias da TV”.

A reportagem mostra que no mês passado o SBT ficou à frente da Record por 1,1 ponto na Grande SP, a maior diferença dos últimos 11 anos (130 meses).

Porém, dados preliminares obtidos pela coluna mostram que o SBT terá ainda outros motivos para comemorar o mês que passou: vai fechar agosto à frente da Record também na famosa (e polêmica) faixa horária das 7h à 0h. E isso tanto no Painel Nacional de Televisão como na Grande SP.

São vários duros golpes, de uma só vez, contra a Record. Mas, por que isso aconteceu?

Bem, diz um velho ditado popular (de mau gosto para quem gosta de bichos, como este colunista) que, “depois que a onça está morta, todo mundo quer tirar a pele”.

Com isso quero dizer que é mais fácil analisar posteriormente os motivos do fracasso alheio do que estar envolvido em decisões no calor do momento.

Feita essa ressalva, é impossível não ver que a Record, além de uma fatalidade, cometeu vários erros este ano. São eles --muito mais que acertos por parte do SBT-- que a fizeram cair uma posição no ranking da TV aberta.

São equívocos que devolveram a vice-liderança à TV de Silvio Santos em quase todas as faixas horárias --inclusive a chamada “faixa comercial” (7h à 0h).

O primeiro erro já foi escrito nesta coluna várias vezes: a decisão radical da joint-venture Simba (a qual o SBT também faz parte) de bater de frente com as maiores operadoras de TV paga.

Em plena recessão econômica, com mercado retraído, a Record não pesou devidamente as consequências comerciais e de audiência ao romper repentinamente com as operadoras e ter seu sinal cortado em São Paulo e no DF.

Perdeu público, certamente perdeu receita e ainda está perdendo a “memória” de boa parte dos milhões de assinantes da Net, que não se importaram muito em ver três canais abertos desaparecerem do menu do dia para a noite.

Há outros erros de avaliação dentro dessa estratégia da Simba, mas isso já foi analisado aqui.

Baseada em dados aos quais eu, como colunista, nunca tive acesso, a Record também sempre se gabou de ter um público “mais qualificado” que o do SBT, especialmente na TV paga.

Se é verdade, justamente por isso a emissora deveria ter pensado “n” vezes antes de romper unilateralmente com as operadoras --especialmente em SP, seu maior mercado.

Dos três acionistas da Simba, a Record foi e está sendo a maior prejudicada. O SBT já recuperou todo o público que tinha antes do corte de sinal cerca de cinco meses atrás.

A RedeTV! tem mais de 43% vendida a igrejas, de forma não sente no bolso a queda de público.

O segundo erro da Record foi a decisão de, em plena queda de público e de renda (com a “novela Simba”)-- ter decidido mexer em sua grade em horário nobre --o mais valioso da TV.

Mexer na grade de programação é mexer com o hábito do público, e não poderia haver pior momento para se fazer isso do que nas últimas semanas.

A Record reduziu o veterano “Cidade Alerta” e em seu lugar colocou uma reprise de “Os Dez Mandamentos”, além de um telejornal local.

É verdade que aqui há uma fatalidade: o afastamento de Marcelo Rezende para tratar um câncer deve ter estimulado a direção da casa a fazer uma nova aposta. Ou poderia ter esperado mais.

Pouco coerente é o fato de ter trocado parte do telejornal policial (produto quente) por um produto já velho (“Dez Mandamentos”) e ainda por cima num horário em que isso nunca foi testado (18h15).

Fosse um produto novo, uma nova novela... mas apostar em uma reprise num horário em que a Globo historicamente investe em novelas de época (“Novo Mundo”), e o SBT, em suas eternas mexicanas (“Um Caminho Para o Destino”)?

O novo telejornal local da emissora também não mostrou a que veio até o momento. Não é um formato novo, não traz novidades, não tem pautas diferenciadas, exclusivas, nada. É mais do mesmo em termos jornalísticos.

Nenhum desses produtos vingou na grade, o que acabou causando um efeito-dominó negativo na programação que vem a seguir (as novelas “Belaventura” e “O Rico e Lázaro”).

A direção da Record sempre diz que, ao contrário do SBT, é uma emissora que investe muito mais em programação própria; que por isso gera empregos e também conteúdo nacional --enquanto que a rival preenche a grade com enlatados e reprises mexicanas.

É uma meia verdade. A Record já investiu mais em programação. Hoje sua grade vespertina, por exemplo, é um amontoado de reprises de novelas. Até geram direitos conexos para os mesmos artistas que chegam a aparecer em várias novelas, mas não empregos.

Além disso, na briga pelo público essa suposta boa vontade na produção de conteúdo não parece significar grande coisa.

A verdade é que o SBT nem precisou se mexer para retomar a vice-liderança.

Com suas manhãs e noites estabilizadas, com madrugadas em que abre larga distância por causa da programação religiosa da rival, o SBT recebeu de volta o segundo lugar no colo, assistindo de camarote aos erros da rival e sócia na Simba.

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