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Análise: Record enfrenta maior crise artística e de audiência na década

Marcos Ferreira/Brazil News
Elenco participa da coletiva de lançamento de "Apocalipse", novela da Record Imagem: Marcos Ferreira/Brazil News
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

15/01/2018 10h43Atualizada em 15/01/2018 10h43

2018 já não começou nada bem para a Record.  A emissora enfrenta hoje uma espécie de crise existencial. A última vez que algo parecido ocorreu foi quando ela desistiu de trilhar o utópico “caminho da liderança”, no início desta década.

Há uma  insegurança generalizada em quase todos os setores, mas a do setor artístico é de longe a mais visível e queixoso.

A emissora decidiu jogar duro com o elenco nos últimos meses: baixou salários e cachês milionários, atrasou ao máximo renovação de contratos, encerrou programas originais e está literalmente abrindo mão de alguns artistas.

Justo dizer que essa mudança de relação financeira com os funcionários teve origem correta. A direção da casa estava mais ou menos readaptando a lei do “aqui se faz aqui se paga” no mundo empresarial: ou seja, reajustando o que seus artistas ora contratados a peso de ouro estavam devolvendo em audiência ou em faturamento.

Há anos havia  claramente uma inflação de salários (e egos) que não estava sendo retribuída com resultados.

Aliás, essa “higienização” salarial foi feita em toda a empresa. Xuxa foi o fato  simbólico de que as mudanças eram pra valer: ela perdeu o status de rainha da cocada e aceitou humildemente perder seu próprio programa e virar também uma boa apresentadora de reality.

Gugu, ao contrário, não aceitou esse papel e pediu o boné.

E por pouco, segundo esta coluna apurou, as negociações para a renovação de Rodrigo Faro não entornaram de vez nas últimas semanas (artista e TV chegaram a um pré-acordo)

Mas a crise pior mesmo está hoje no valioso horário nobre.

A mudança da grade na faixa das 18h à 0h não deu certo desde o ano passado. Vale dizer que foi decidida num péssimo momento, aliás --em plena guerra Simba x operadoras.

Para agravar o mau momento, a grande aposta, a novela “Apocalipse”, está derrubando (ainda mais) a audiência de tudo que vem depois dela, não raro registrando seis pontos de audiência em SP, segundo a Kantar Ibope. Muito pouco para uma emissora que se acostumou com dois dígitos bíblicos.

“Apocalipse”, que surgiu como uma ideia original, acabou virando um produto ruim, com atuações fraquíssimas, forçadas e uma história sem nenhum brilho.

Enquanto isso o SBT vai abrindo distância com seu quase imutável arroz com feijão. E nem adianta mais a Record bater no peito e dizer que, ao menos, ela gera mais empregos e mais conteúdo próprio. Não pode, porque as duas emissoras estão emparelhadas nesses quesitos hoje.

Embora muitas vezes terríveis, crises são grandes momentos de aprendizado para pessoas e empresas e a Record terá de aprender alguma coisa com tudo isso. Talvez ser mais humilde.

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