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VP Comercial da Record: "É preciso rediscutir publicidade no país"

Walter Zagari, vice-presidente comercial da Record - Edu Moraes/Divulgação
Walter Zagari, vice-presidente comercial da Record Imagem: Edu Moraes/Divulgação
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

06/09/2019 00h09

Em evento de apresentação do novo projeto de Jornalismo da Record ontem (05), em São Paulo, o vice-presidente Comercial do Grupo Record, Walter Zagari, disse que é preciso "rediscutir" a publicidade brasileira.

Em resposta a uma questão formulada pelo colunista Maurício Stycer, do UOL, Zagari admitiu que o pagamento do chamado "BV" (bônus por volume) aos veículos de comunicação, deveria, sim, ser rediscutido por uma espécie de comitê.

Esse comitê englobaria TVs e outros veículos de comunicação, as agências de publicidade, e o governo, por meio da Secom (Secretaria de Comunicação).

O BV é uma prática corriqueira há décadas no país e não há ilegalidade aparente nela. Mas, há críticas, e pesadas.

Grosso modo, é uma espécie de "comissão" paga, ou devolução, por parte dos veículos de comunicação às agências, de uma porcentagem do montante que foi investido pelos anunciantes anualmente nesses mesmos veículos de comunicação. Uma espécie de contrapartida.

A pergunta de Stycer tinha relação com a declaração, anteontem (04), do presidente Jair Bolsonaro em entrevista à "Folha": ele afirmou que pretende editar uma Medida Provisória (MP) para mudar as regras do BV --ainda que a validade de uma MP seja de apenas 120 dias por ano.

Ele não descartou reeditar a MP todos os anos, pois acredita que um projeto de lei não tramitará rapidamente no Congresso.

O personagem central da polêmica do BV, na verdade, é a TV Globo. Executivos (como Marcelo de Carvalho, da RedeTV), há anos se queixam que as maiores agências do país investem mais de 70% ou 80% de suas verbas na Globo.

No entanto, dizem, a emissora tem no máximo 35% do share (da participação no universo de TVs ligadas). Isso representaria um desequilíbrio: por que investir 80% das verbas num veículo que só tem 35% do share?

O motivo para esse "desequilíbrio" seria o fato de a Globo pagar "BVs" maiores às agências que, assim, supostamente, não teriam interesse em anunciar em outras emissoras ou veículos. Já estariam em uma posição cômoda e não veriam necessidade de mudar.

No evento da Record, Zagari disse que essa situação (de desequilíbrio) já foi muito maior em anos passados, mas que ainda assim vê possibilidade de discussão.

No entanto, nem de longe o vice-presidente Comercial da Record foi tão enfático sobre a defesa do fim do "BV", como Bolsonaro eo atual chefe da Secom, Fabio Wajgarten.

A estimativa é que a publicidade no Brasil movimente em torno de R$ 20 bilhões anuais.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook e site Ooops

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