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Com maior "passaralho" da história, Globo já economiza milhões

Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

01/07/2020 05h40

Nos últimos anos a Globo demitiu, encerrou o contrato ou aceitou de bom grado a saída de mais de uma centena de apresentadores, atores, jornalistas, autores e diretores.

Tudo faz parte de um grande projeto decidido anos atrás, chamado "Uma Só Globo". O projeto visa reformular e revolucionar a estrutura do Grupo Globo, cortando custos, agilizando processos e integrando ainda mais a companhia nos novos tempos midiáticos e na economia nacional.

Não estão sendo poupados nem sequer os chamados "medalhões", como esta coluna explicou semanas atrás no canal do UOL no YouTube.

A lista é imensa (confira abaixo).

Ameaçada pela eterna crise econômica que afunda o país e agora também afetada duramente pela pandemia de coronavírus, a emissora já tinha esses cortes de gastos e de pessoal em seus planos havia anos —como esta coluna analisou no ano passado.

Ao mesmo tempo, a Globo fez também um grande planejamento de investimento em novas mídias (streaming) e num dos mais modernos complexos de estúdios do mundo, no Rio.

É preciso lembrar que não eram apenas salários milionários em muitos casos que estão sendo cortados: há também o enxugamento de uma série de gastos com benefícios, como férias, 13º, PLR, planos de saúde etc.

As listas

Só para citar alguns exemplos de demitidos (por vários motivos, mas a maioria corte de gastos puro e simples) na dramaturgia:

Vera Fischer, Miguel Falabella, Stênio Garcia, Zeca Camargo, Renato Aragão, Malu Mader, Otaviano Costa, Maria Fernanda Cândido, Leandro Hassun, Malvino Salvador, José de Abreu, Regina Duarte, Bruno Gagliasso, Bianca Bin, Rafa Brites, Lair Rennó, Aguinaldo Silva, Cininha de Paula, Maitê Proença, Isabela Garcia, Pedro Cardoso, Luiz Fernando Guimarães, Pedro Paulo Rangel, Danielle Winits, Helena Ranaldi, Marcelo Anthony, Carolina Ferraz, Dalton Vigh, Barbara Paz, Luana Piovani, Bruna Marquezine, Zé Mayer, Thiago Abravanel e Reynaldo Giannechini, entre dezenas de outras estrelas históricas —como, ainda, Jô Soares e o Quinteto, e o diretor Luiz Fernando Carvalho ("Velho Chico" e "O Rei do Gado").

A coisa não acabou e mais nomes da dramaturgia devem entrar nessa lista nas próximas semanas e meses. São cada vez mais raros na casa os chamados contratos de longa duração.

Na área de jornalismo também houve um impressionante "passaralho" nos últimos anos, além de algumas baixas voluntárias:

Carla Vilhena, Reginaldo Leme, Mauro Naves, Marcio Canuto, Sérgio Chapelin (tecnicamente se aposentou), Sandra Passarinho (idem), Cartolouco, Dony de Nuccio, Samy Dana, Glenda Kozlowski, Cris Dias, Ivan Moré, Sergio Aguiar, Luis Ernesto Lacombe, André Luis Azevedo, William Waack, Evaristo Costa, Mariana Ferrão, Fernando Rocha, o casal Mari Palma e Phelipe Siani (se demitiram) e Monalisa Perrone (idem), entre dezenas de outros menos conhecidos.

Até o humilde padre Marcelo entrou na "roda" de cortes ao perder seu programa —e o emprego— na rádio Globo. Aliás não só ele.

Uma só Globo

O Grupo Globo acabou com a rádio Globo em São Paulo, tendo um ano já mudado sua fracassada tentativa de nova programação e demitido estrelas como Maju Coutinho, Fernanda Gentil e Otaviano Costa.

Conforme esta coluna antecipou no ano passado, o Sistema Globo de Rádio ainda deve ter novas mudanças nos próximos meses.

Não é possível calcular exatamente o quanto a Globo teve de gastos com esses processos de demissão. Tampouco exatamente o quanto deve economizar. Mas é possível estimar.

Centenas de milhões economizados

Uma estimativa conservadora feita por uma fonte anônima do mercado, ouvida por esta coluna, calcula que só no jornalismo a economia anual pode chegar a R$ 20 milhões.

Na dramaturgia, com o fim dos salários milionários de estrelas (algumas que trabalhavam bem pouco) é possível que a economia vá muito além dos R$ 100 milhões anuais.

No longo prazo é com esse dinheiro economizado que a Globo poderá continuar investindo no Globoplay, em produções multiplataformas e no pagamento do milionário complexo de estúdio no Rio (o maior da América Latina e um dos mais modernos do mundo).

Estima-se que esse complexo tenha custado em torno de US$ 50 milhões e a previsão —antes da pandemia— era que aumentasse em mais de 50% a produtividade da emissora.

Com o complexo de estúdios a Globo também previa economizar gastos com horas extras e custos adicionais, acabando com as gravações de novelas e séries nos finais de semana. Isso agora ficou para o futuro, claro.

Uma pandemia no meio do caminho

Conforme esta coluna afirmou no início deste texto, basicamente todos esses cortes de pessoal e de custos estavam previstos e agendados anos atrás pelo "board" do Grupo Globo —atento a mudanças e tendências na mídia nacional e mundial.

No entanto, 2020 ainda reservou uma triste surpresa extra: a pandemia de coronavírus.

Isso pode piorar ainda mais a situação, como informou com exclusividade ontem o site Notícias da TV: a Globo já corre risco de perder também a transmissão da Copa do Mundo de 2022.

É algo impensável e comprova o momento gravíssimo e sem precedentes na história não só da Globo, mas da TV brasileira.

Mas, se para a Globo está difícil, imagine para as outras TVs abertas.

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