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Sereia da vida real se revolta com trama de Ritinha: "Não fui reconhecida"

Arquivo Pessoal
Isis Valverde e Mirella Ferraz Imagem: Arquivo Pessoal

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

18/10/2017 04h00

Adepta do "sereismo" há cinco anos, Mirella Ferraz costuma dizer que é sereia "desde criança" e foi a referência de Gloria Perez para criar a personagem de Isis Valverde em "A Força do Querer". A sereia profissional teve o primeiro contato com a novelista em abril de 2015 e, nos últimos dois anos, trocou mensagens com ela. Ela foi ainda a responsável por ensinar a intérprete de Ritinha a mergulhar e se comportar como sereia.

Apesar de tudo isso, Mirella não esconde a decepção com a novela das 21h, que termina nesta sexta-feira (20).

"Foi uma grande desilusão. Achei que a autora não teve respeito pela nossa história, não levou minha história a sério. Fiquei chateada, com um sentimento de traição, de injustiça. Esperava muito mais, trabalhei muito nesta novela. Às vezes, até doente e no final fiquei bastante chateada com o que aconteceu. Fui pro Rio, passei meses ajudando a Isis a mergulhar, como ser uma sereia, como pensar como sereia. E no final não vi esse trabalho ser reconhecido por elas".

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A sereia da vida real contou que, nas primeiras conversas com Gloria, a ideia que ela tinha era bem diferente do que se tornou a Ritinha. "Ela ia ser uma menina muito parecida comigo, seria mesmo baseada na minha vida. Então ela ia ser uma menina que nasceu com esse grande amor pela água, que é o que a Ritinha tem, de certo modo. Mas ela ia ser alguém que acredita muito que é uma sereia, que tem uma ligação muito forte com os animais, com a natureza e lembro de ter pedido muito para a Gloria colocar um pouco de magia. Porque não tem como você desvincular a lenda das sereias de uma magia, de uma fantasia."

Para ela, a trama de Ritinha no Rio, longe das águas e envolvida no triângulo com Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk) se perdeu e as tramas de Bibi (Juliana Paes), Jeiza (Paolla Oliveira) e Ivan (Carol Duarte) despertaram mais interesse no público.

"A festa de lançamento da novela foi só do tema sereia. Ela seria a personagem principal. Só que ficou tão sem conteúdo que ela nadou, nadou e morreu na praia. Ela acabou virando uma coadjuvante. Deu a impressão que ela foi jogada nas outras tramas para aparecer mais porque não tinha mais o que contar dela. Não tem uma trama boa ali, algo que prenda o público como aconteceu com a Jeiza, a Bibi, a Ivan", analisa.

Arquivo Pessoal
Mirella Ferraz preparou Isis Valverde para praticar o sereismo em "A Força do Querer" Imagem: Arquivo Pessoal

A postura e o comportamento da personagem também são criticados pela sereia: "Acho a Ritinha muito rasa, o que é um paradoxo. Para ser sereia, você tem que ter profundidade, é o mínimo. Sereia não gosta de coisa rasa. Só fica falando 'égua', não sabe falar uma frase sequer... A gente não viu nenhum lado ambiental nela. Só no começo, ela tinha aquela ligação com os botos que foi muito pouco explorado e pronto, acabou".

A sereia não esconde também a decepção com Isis Valverde e diz que em vários momentos a atriz tentou "boicotá-la".

"Estou tão cansada, chateada, com sentimento de traição, de frustração, em relação a isso tudo. Acho que talvez seja uma prática de atores globais, me decepcionei muito. Eles parecem que encaram as pessoas como objetos, que podem usar, tirar tudo dali e pronto. Como eu sou um bichinho do mato, não me senti muito a vontade com essas relações tão superficiais, que tentam puxar tapete um do outro", diz ela, que é natural de Pirassununga (SP).

A assessoria de imprensa da atriz estranhou a reação de Mirella: “Essa moça foi contratada pela emissora para preparar a Isis lá no começo da novela. Mas estava imputando à atriz uma relação que não era dela, e sim da produção da emissora. Por isso, não houve autorização para prosseguimento.”

Daniel Dias/Divulgação
Mirella Ferraz é sereia profissional Imagem: Daniel Dias/Divulgação

Menos caudas

Em 2015, bem antes de a novela estrear, o sereismo teve um boom no Brasil. No início deste ano, antes de "A Força do Querer" estrear, Mirella que além de fazer eventos como sereia e escrever livros sobre o tema, produz e vende caudas para crianças e adultos viu as vendas aumentaram bastante. Do meio da novela para cá, as coisas mudaram.

"No começo, as vendas aumentaram muito, muito mesmo, antes de a novela começar. Porque estava toda aquela coisa em volta daquela personagem, as outras quase não eram citadas, era só a sereia. Quando ela começou e o foco da sereia foi saindo, foi virando uma pessoa que todo mundo tinha raiva, não foi uma personagem querida, e as vendas começaram a despencar. Hoje em dia diminuiu muito a popularidade das sereias. Não sei se foi por causa da novela, mas deu uma boa caída", comenta.

 

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