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Leandra Leal: 'Estamos vivendo uma criminalização do ativismo'

Leandra Leal - Reprodução/ vídeo
Leandra Leal Imagem: Reprodução/ vídeo

Colaboração para o UOL

12/05/2020 02h16

Leandra Leal esteve no Papo de Segunda de ontem, na GNT, para falar sobre a série 'Aruanas', que está em exibição na Rede Globo e retrata a luta de quatro mulheres ativistas contra crimes ambientais na Amazônia. Segundo a atriz, esse é o momento perfeito para a produção ser exibida em TV aberta, pois, mesmo sendo ficcional, escancara problemas reais do Brasil.

"A série está indo ao ar em um momento super importante, porque além de ser um período em que temos que refletir a nossa relação com o outro [devido ao isolamento social], temos que repensar a relação que temos com o nosso planeta e qual é o futuro que nós queremos para ele", disse Leandra.

"'Aruanas' cumpre o papel de colocar uma reflexão de como estamos tratando o nosso planeta e o meio ambiente", afirmou a atriz, que atua ao lado de Débora Falabella, Taís Araújo e Thainá Duarte na série.

Exibida às terças-feiras após a novela das nove, 'Aruanas' foi gravada nas cidades de Manaus e Manacapuru, e mostra quatro ativistas ambientais tentando impedir que uma gananciosa mineradora passe por cima de florestas, reservas indígenas e o que mais estiver pela frente, inclusive moradores locais, para alcançar seus objetivos.

A ficção vista na série não difere da realidade vivida na Amazônia, e Leandra fez questão de ressaltar: "O desmatamento está batendo recorde de novo, e logo chegará o mês de agosto, que é quando acontece o auge das queimadas. Em paralelo à pandemia [do coronavírus], estamos vivendo essa tragédia também. Enquanto isso, o governo vem tentando aprovar legislações para permitir que as queimadas aumentem muito mais, e assim vão invadir mais terras e matar mais gente".

Essa gente a que Leandra se refere, no caso, inclui os ativistas. "O Brasil é o país que mais mata ativistas no mundo. 'Aruanas' fala sobre isso também, sobre a vida dos ativistas. Esse é o grande mote da série", explicou ela, que mesmo já tendo participado de campanhas em prol de causas ambientais, não tinha a pauta presente em seu dia a dia e começou a se envolver mais com o assunto após ter convivido com os ativistas na floresta.

"Os ativistas vêm me agradecer dizendo que se sentiram representados na série, porque estamos vivendo uma criminalização do ativismo. Os ativistas são pessoas que correm riscos de vida, que estão lutando por nós e, de repente, a sociedade não está os acolhendo mais. Isso é desesperador", desabafou a atriz.

Leandra ainda aproveitou para dar uma sugestão simples a quem quer ajudar com o trabalho feito pelos ativistas ambientais, mas não pretende se envolver diretamente e nem estar na linha de frente. "Como cidadão, você pode não importar para a sua casa nenhum produto que seja fruto de desmatamento ou que tenha sangue em sua cadeia", concluiu ela.

O Papo de Segunda é exibido às segundas-feiras, às 22h30, no canal GNT.

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