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Caso Melhem: funcionárias da Globo divulgam carta aberta em apoio a vítimas

Do UOL, em São Paulo

04/12/2020 15h50

Funcionárias da TV Globo compartilharam nesta sexta (04) em seus perfis no Instagram uma carta aberta escrita coletivamente por integrantes do movimento "Mexeu Com Uma Mexeu Com Todas" em apoio às vítimas de assédio sexual e moral envolvendo Marcius Melhem.

Além de criticar a condução do caso pela Globo, o texto também reforça que o diálogo com o movimento está aberto.

"Viemos a público repudiar qualquer conduta que reafirme e beneficie o sistema de práticas opressivas relacionadas ao gênero e à hierarquia profissional que se estabeleceu ao longo dos anos. Também gostaríamos de criticar o silêncio e a falta de transparência na condução do caso por parte da empresa, uma vez que houve escuta das vítimas pelo compliance", diz a carta.

"Apenas com uma rede de apoio sólida e fortalecida poderemos caminhar para o fim da violência de gênero que nos coloca vulneráveis dentro do nosso ambiente de trabalho", segue o texto.

Criado em 2017, na ocasião do episódio da denúncia de assédio de uma figurinista contra o ator José Mayer, o movimento reúne cerca de 150 funcionárias da TV Globo que atuam em diversas áreas, incluindo roteiro, direção, figurino e produção.

A publicação de uma reportagem da revista piauí hoje que detalha os supostos assédios do ex-diretor área de humor da Globo contra atrizes da emissora foi responsável por trazer o assunto de volta à tona.

Dani Calabresa, principal vítima relatada na matéria, passou a receber inúmeras mensagens de apoio de outros famosos nas redes sociais.

Já a Globo disse 'não tolerar comportamento abusivo' após denúncias contra Melhem.

Confira a carta completa:

Diante dos fatos expostos envolvendo denúncias sobre assédio sexual e moral cometidos por Marcius Melhem em período que exercia cargo de direção na empresa, viemos a público repudiar qualquer conduta que reafirme e beneficie o sistema de práticas opressivas relacionadas ao gênero e à hierarquia profissional que se estabeleceu ao longo dos anos. Também gostaríamos de criticar o silêncio e a falta de transparência na condução do caso por parte da empresa, uma vez que houve escuta das vítimas pelo compliance.

Prestamos aqui toda solidariedade e apoio às vítimas dos abusos cometidos, tendo cada dia mais a certeza que somente com união e escuta poderemos avançar nos diálogos e na luta contra esse tipo de prática dentro da empresa.

Apenas com uma rede de apoio sólida e fortalecida poderemos caminhar para o fim da violência de gênero que nos coloca vulneráveis dentro do nosso ambiente de trabalho.

Nossa mobilização é contínua, nossos diálogos estão abertos e nosso posicionamento parte do princípio que é necessário que se estabeleça: 1) uma escuta ativa das vítimas; 2) que providências efetivas e transparentes sejam tomadas; 3) que, sobretudo, sejam estabelecidos mecanismos de educação e conscientização sobre essas violências a fim de que possamos consolidar um ambiente de trabalho saudável e seguro para todas as mulheres.

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