PUBLICIDADE
Topo

Datena rebate Bolsonaro após críticas a Bonner e imprensa: Não sou canalha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/01/2021 09h58

Durante o 'Brasil Urgente', José Luiz Datena deu sua opinião sobre alguns posicionamentos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em relações aos reflexos das eleições nos Estados Unidos.

"O presidente Jair Bolsonaro usou esse exemplo nos EUA pra dizer que: 'olha, se não tiver voto impresso no Brasil em 2022, o que aconteceu lá nos EUA vai acontecer aqui no Brasil'. Isso é um absurdo. Pare de defender esse lunático, se houvesse fraude nas eleições de 2018, você não seria eleito, o senhor era um dos últimos colocados", disse o apresentador.

Ainda durante o desabafo, o jornalista pediu respeito à democracia e à imprensa. "Pelos erros da esquerda, pela exposição das suas ideias, que muita gente concorda, pela imprensa que divulgou suas ideias, o senhor não pode ficar atacando a imprensa como o senhor ataca, respeite a democracia. Pense bem naquilo que o senhor fala, pois o que o senhor fala hoje tem que ser sustentado amanhã. Não adianta o senhor falar uma bobagem hoje e, no outro dia, colocar na boca da imprensa. Isso não cola mais. O que aconteceu nos Estados Unidos hoje não tem nada a ver com o Brasil", afirmou.

O apresentador também defendeu os jornalistas e em especial William Bonner, que foi chamado de "canalha" por Bolsonaro. "Não aceito o termo 'canalha' pra mim. E não aceito o termo 'canalha' para a história da imprensa brasileira. Se não fosse a imprensa brasileira, hoje não viveríamos num país democrático. Respeito minha profissão, respeito meus colegas de trabalho. Não sou canalha. Nenhum de nós pode chegar em casa e ser questionado por nossos filhos: 'o senhor é canalha, papai?' Eu não sou canalha, não aceito esse termo", comentou Datena.

Além de "canalha", Bolsonaro chamou o global de "sem vergonha" durante uma conversa ontem com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada. Ele ainda atacou o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o youtuber Felipe Neto.

"Pessoal da imprensa, sem vergonha, William Bonner, sem vergonha, vai ter seringa para todo mundo. William Bonner, por que seu salário foi reduzido? Porque acabou a teta do governo. Vocês têm que criticar mesmo. Quase R$ 3 bilhões por ano para a imprensa e grande parte para vocês, acabou", disse o presidente, repetindo a alegação, sem provas, de que seu governo cortou o valor que seria gasto em gestões anteriores em anúncios publicitários na grande imprensa.