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Drauzio e Globo são condenados a pagar R$ 150 mil a pai de menino morto

Drauzio Varella abraça a detenta Suzy em reportagem do Fantástico - Reprodução
Drauzio Varella abraça a detenta Suzy em reportagem do Fantástico Imagem: Reprodução

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/06/2021 18h15Atualizada em 23/06/2021 15h03

Dráuzio Varella e a TV Globo foram condenados a pagar R$ 150 mil por danos morais após a entrevista com Suzy Oliveira exibida pelo "Fantástico" em março de 2020.

A ação contra a emissora e o entrevistador foi movida pelo pai do menino de nove anos morto pela detenta entrevistada pelo médico para o quadro da revista eletrônica semanal.

A decisão judicial em primeira instância foi assinada pela juíza Regina de Oliveira Marques, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O processo aponta que o pai da criança "sofreu novo abalo psicológico ao reviver os fatos" após ser procurado pela imprensa para voltar a falar sobre o tema.

Por todo o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido inicial para condenar solidariamente os requeridos ao pagamento ao autor de indenização por danos morais no importe de R$ 150.000,00 devidamente corrigido e acrescido de juros de 1% ao mês, ambos desde a data da sentença até o efetivo pagamento.

O texto também cita como argumento a "piedade social" devido à repercussão sobre a entrevista de Suzy no programa. Drauzio e a emissora ainda podem recorrer.

Em contato com o UOL, o departamento de comunicação da TV Globo afirmou que a emissora não se manifesta sobre casos em julgamento.

Já os advogados da Globo e de Drauzio — que são os mesmos — no processo responderam que recorrerão da decisão, conforme comunicado pelo advogado Andre Cid de Oliveira.

Recorreremos da sentença. A reportagem jamais mencionou os nomes, exibiu as imagens ou expôs as intimidades das vítimas das presas ou dos familiares das vítimas. O único foco da pauta jornalística era revelar a situação da população transexual encarcerada, e não perquirir as causas motivadoras das condenações das entrevistadas. Quaisquer ofensas ao autor deveriam ser debitadas, portanto, àqueles que, sem o cuidado dos jornalistas, efetivamente reavivaram e exploraram as circunstâncias do crime ocorrido há mais de dez anos

O assunto repercutiu nas redes sociais na semana posterior ao programa, após o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) divulgar documentos judiciais que apontam que Suzy foi condenada pelo homicídio da criança.

Em março de 2020, Drauzio Varella divulgou uma nota em suas redes sociais onde afirma "ser médico e não juiz" ao responder às críticas motivadas pelo abraço em Suzy Oliveira durante a reportagem.