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'Liberdade de Opinião' de Garcia já defendeu cloroquina e elogiou chacina

Alexandre Garcia já desinformou sobre uso de cloroquina e vacinas contra a covid-19 em jovens Imagem: Reprodução/CNN Brasil

Do UOL, em São Paulo

20/08/2021 12h22Atualizada em 20/08/2021 14h33

A emissora jornalística CNN Brasil desmentiu ontem o próprio apresentador da casa Alexandre Garcia após ele sugerir que jovens "não precisariam tomar a vacina [contra a covid-19] segundo as estatísticas."

No programa "Novo Dia", a apresentadora Elisa Veeck desmentiu a fala de Garcia e apresentou dados alarmantes e reais sobre as mortes de jovens e crianças em razão da covid-19. As vacinas, cientificamente comprovado, reduzem as possibilidades de um quadro se agravar e chegar a óbito, de acordo com suas eficácias.

Para esclarecer esse tema, nós da CNN Brasil procuramos o infectologista e também diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri. Segundo o médico, a medida que se previne mortes em adultos e idosos, os casos de hospitalização com formas graves serão entre os não vacinados. Ou seja, a proporção maior de casos graves irá acometer as pessoas que não tomaram a vacina. Elisa Veeck

Ela completou:

No caso das crianças, [a taxa de hospitalização] que era de 0,35% poderão, sem vacina, chegar a 15%. Além dessa informação, acrescentamos que o registro para este ano de mortes por covid-19 entre crianças e jovens é de 1.581. Isso mesmo. 1.581 pessoas entre 10 e 19 anos morreram por covid-19 somente em 2021. Elisa Veeck

'Novo Dia', velhas polêmicas

Alexandre Garcia se estressa com Rafael Colombo e deixa no ar saída da CNN Imagem: Reprodução/CNN

O jornalista ex-global coleciona uma série de declarações polêmicas ou que desinformam ditas durante o seu espaço para — segundo a proposta do programa — informar o telespectador.

O nome "Liberdade de Opinião" remete ao direito de todo cidadão brasileiro de expressar seu posicionamento, articulado após coletar dados e informações. Mas estas precisam ser verdadeiras, fundadas na realidade e que respeitem as pessoas e as garantias constitucionais do país.

O mal-estar das declarações já gerou desentendimentos ao vivo com o apresentador Rafael Colombo.

Defesa da cloroquina

Em 27 de julho do ano passado, primeiro dia do quadro, Garcia fez apologia do remédio cloroquina dizendo que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "é a comprovação científica de que o uso da hidroxicloroquina dá certo".

Bolsonaro, ao contrair a covid-19, usou o remédio e fez da sua recuperação uma propaganda. Embora o presidente tenha começado o tratamento com esses medicamentos, as drogas não têm a eficácia comprovada cientificamente e ainda podem provocar diversos efeitos colaterais.

O que já se é comprovado é a eficácia das vacinas, o uso de máscaras e preferir locais abertos e ventilados aos fechados.

Em agosto do ano passado, Garcia enaltecia a cloroquina mais uma vez, mesmo sem provas de que ela funcione em casos de covid-19. Colombo refutou e lembrou da morte do amigo e colega José Paulo de Andrade, da rádio Bandeirantes.

A troco de que tanta gente morreria se a cloroquina funciona? Um remédio barato, como você mesmo lembrou, está aí na farmácia. E se há interesse farmacêutico em dizer que ela não funciona, também não pode existir um interesse farmacêutico em dizer que funciona? Afinal, o governo brasileiro comprou mais de 4 milhões de doses. E se não funcionar, vai fazer o que com ela? Eles morreram à toa? Porque fica parecendo que com R$ 20 na farmácia eles estariam aqui vivos! Rafael Colombo

Bolsonaro contra medidas sanitárias

Alexandre Garcia e Jair Bolsonaro Imagem: Marcos Corrêa/PR

Garcia teve um novo embate ao defender a ameaça do presidente Bolsonaro de baixar um decreto contra medidas restritivas impostas por governadores e prefeitos.

O jornalista disse que Bolsonaro cumpria a Constituição federal ao garantir o direito de ir e vir. A Constituição também garante a autonomia das três esferas (municipais, estaduais e federal), reforçada por decisão do STF sobre a covid-19, e, naquele momento, as restrições limitavam e criavam regras para que as pessoas pudessem ir aos locais minimamente seguras e promovendo o controle da pandemia.

Alexandre Garcia se irritou depois de Rafael Colombo perguntar se prefeitos e governadores estavam, com as medidas para evitar aglomerações e circulação do vírus, preservar a vida dos cidadãos.

O dono do "Liberdade de Opinião" se irritou, afirmou que "não saberia" se voltava no outro dia e levantou hipóteses de que pediria demissão ou sairia do quadro. Garcia disse depois que foi um mal entendido técnico:

Aconteceu que a editora me avisou no ouvido que eu não tinha mais tempo, que tinha se esgotado e eu tinha que devolver. Que eu tinha só um minuto. Só isso. Alexandre Garcia

Chacina do Jacarezinho foi 'exitosa'; 28 pessoas morreram

Alexandre Garcia Imagem: Reprodução/YouTube

Um dia depois, Alexandre Garcia voltou. O "Novo Dia" começou com ele elogiando a ação policial na qual agentes da Polícia Civil do Rio mataram 27 civis na favela do Jacarezinho em maio. Documentos mostram indícios de execução e desfazimento da cena do crime no local onde ocorreram mais mortes.

Foi a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro.

Para Garcia, os mortos contabilizados mostravam que a ação cumpriu seu objetivo.

Exitosa, bem planejada e realizou bem os seus objetivos. Não houve dano colateral. Foram mortas pessoas que escravizam a população. Eu não padeço de 'bandidolatria'. Alexandre Garcia

Nem todos os mortos na operação eram alvo de mandado da Justiça.

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