PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Leo Dias


Leo Dias

Preso em casa, Silvio Santos se diverte zoando imprensa e diretores do SBT

Silvio Santos - Reprodução/SBT
Silvio Santos Imagem: Reprodução/SBT
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

19/05/2020 15h15

Antes de qualquer coisa, esse não é um texto analítico feito pelo Leo Dias, que assina este espaço. Eu sou Gabriel de Oliveira, e sou o repórter especialista do universo da televisão nesta Coluna. Meu querido chefe me deu carta branca para usar esse espaço para opinar e analisar o que eu bem entender. Se muitos lugares já tinham um alvo com a minha cara por opinar em um perfil de Twitter, imagina agora? É, acho que preciso de um guarda-costas.

Na noite de sábado (16) publiquei neste humilde espaço que Silvio Santos havia decidido atacar novamente e ordenado que o Primeiro Impacto, aquele noticiário sangrento das manhãs, fosse reexibido ao meio-dia a partir de segunda.

A notícia, como sempre, se espalhou feito pólvora dentro e fora do SBT. Nos corredores, diretores não tão prestigiados chegaram a rir da notícia e a bater no peito para desmentir a informação para colegas mais chegados da imprensa. Internamente, alguns setores da emissora apressaram-se em apagar o incêndio, afirmando que tudo não passava de um boato.

Ontem, por volta das 11h30, Silvio voltou a ligar para o canal e ordenou que sua ideia fosse abortada, mantendo o Bom Dia & Cia no ar até 15h15. Como sempre, não deu justificativas. Apenas a ordem, que logicamente foi aceita sem maiores questionamentos.

Tudo já estava pronto para a reprise do Primeiro Impacto. O combalido jornalismo da emissora se desdobrou e fez várias versões da reprise do Primeiro Impacto, com diversos tempos de duração. Afinal, vai que o telefone toque outra vez? Melhor prevenir do que remediar.

Bastou que o noticiário não entrasse no ar na segunda-feira para que os abutres de plantão me atacassem e fossem atrás do meu chefe dizendo que tudo era um delírio da minha cabeça. Felizmente, o Leo sabe como eu trabalho e tem total confiança em mim. Além disso, ele já trabalhou no SBT e sabe muito bem como as coisas funcionam por lá.

Xingamentos a parte, o telefone do terror voltou a tocar no início da noite de ontem. Silvio, ocioso, determinou que o Triturando voltasse para seu horário original e exigiu novamente que a reprise do Primeiro Impacto fosse ao ar na hora do almoço a partir de terça-feira.

Ontem, exatamente às 20h04, um grande amigo me alertou das novidades. "Deixaram um programa na manga", bradou. Agradeci a informação, trocamos algumas risadas e disse que não iria publicar, apesar de confiar cegamente em cada letra escrita por ele.

Por que eu decidi não publicar? Simples, meu caro leitor. Silvio Santos, desde sempre, ama descredibilizar os veículos de imprensa. Se a notícia vazasse outra vez, ele ligaria de novo e engavetaria o projeto por mais tempo. Mas se não vazasse... e não vazou.

Justamente por não ter vazado, fomos agraciados com a gloriosa reapresentação do banho de sangue que o dono do Baú gosta de chamar de Primeiro Impacto. A audiência, como qualquer um com mais de dois neurônios poderia prever, foi uma tragédia: o telejornal chegou a marcar 2,5 em uma faixa que o SBT batia até 8 pontos.

Durante toda a segunda, eu escutei piadinhas de que estava delirando e que Silvio Santos, o todo poderoso, nunca teria uma ideia tão idiota. Bem, ele teve. A não ser, é claro, que você prefira viver no mundo da fantasia e acredite que eu tenho algum poder de decisão na programação.

O dono do SBT, é bom dizer, tem muito mais que dois neurônios. Eu costumo brincar com alguns amigos que ele está senil, mas a verdade é que ele está bem melhor do que todos nós. Podem ter certeza: nem ele próprio acredita que boa parte de suas mudanças vão dar certo.

Silvio Santos, porém, gosta de mostrar quem manda de tempos em tempos. Uma de suas maiores diversões, incontestavelmente, são as três gravações semanais de seu tradicional programa de auditório. Elas, porém, estão suspensas por tempo indeterminado em decorrência da pandemia do coronavírus.

Caro leitor, pense comigo: o que mais um senhor bilionário de 89 anos, preso em sua casa, poderia fazer em plena quarentena? Ele foi privado de seus maiores prazeres, que são suas gravações e assistir muambas latinas de origem duvidosa na TV dos Estados Unidos.

Se ele fosse um pobre mortal, jogaria videogame e faria lives na Twitch para se exibir para o mundo. Mas ele não é. O seu videogame é o SBT, e a sua versão da Twitch é a própria emissora. Como bom jogador, Silvio Santos ama expor suas vitórias e conquistas para o mundo. E, como dono do jogo, cabe a ele dizer quais amiguinhos podem ou não fazer parte da brincadeira.

Os amiguinhos, nesse caso, são os diretores dos mais diversos setores do SBT e do Grupo Silvio Santos. Basta um telefonema para que qualquer atitude deles seja imediatamente desautorizada. Sempre foi assim, e sempre será. E não adianta tentar o contrariar: quanto mais tentarem o demover de suas ideias, mais ele terá certeza de que vai fazer para mostrar quem manda ali.

*Com reportagem de Gabriel de Oliveira

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leo Dias