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Antes da Record, RedeTV perdeu chance de parceria com CNN

O jornalista William Waack será o principal âncora da CNN Brasil - Divulgação/Spokesman - CNN Brasil
O jornalista William Waack será o principal âncora da CNN Brasil Imagem: Divulgação/Spokesman - CNN Brasil
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

06/11/2019 10h08

O caso ocorreu cerca de quatro anos atrás e muita gente não sabe ou nem lembra que ele ocorreu. Era 2015 e poucos anos antes a RedeTV havia saído de uma grave crise financeira que abalou até a relação entre seus dois sócios, Amilcare Dallevo e Marcelo de Carvalho.

A situação, no entanto, se pacificou entre os donos. A RedeTV fez um enxugamento de gastos, renegociou dívidas e decidiu fazer uma aposta ousada: uma parceria de conteúdo com a CNN Internacional.

Durante quase dois anos, emissários da RedeTV e da divisão CNN - EUA negociaram incansavelmente.

Foram várias viagens mútuas —ora de funcionários da emissora paulista para os EUA; ora vice-versa.

A princípio a sede da CNN não via com interesse um novo canal, pois considerava que já existia a CNN em espanhol, uma língua parecida. Seus executivos porém acabaram convencidos diante do tamanho e a população do Brasil.

Em 2017 já estava praticamente tudo acertado. Várias minutas já haviam sido trocadas.

A RedeTV estava numa posição relativamente confortável. Ela basicamente teria direito de usar todo o conteúdo da CNN. E obviamente teria de pagar por isso uma espécie de mensalidade. Seu maior custo, fora isso seria, provavelmente, com a tradução de textos.

Vejam bem: esse processo não tem semelhança com a CNN Brasil que agora deve estrear agora em março, onde os sócios tiveram de investir pesado em infraestrutura e em contratações para produção de material exclusivo.

Não, a RedeTV não faria contratações. Mas, teria direito a usar praticamente todo conteúdo internacional da CNN e, eventualmente, poderia reproduzir alguns formatos consagrados da emissora norte-americana, caso desejasse.

Na hora H

No último momento, à beira da assinatura, porém, os sócios da RedeTV resolveram "pechinchar" o valor que já havia sido acertado anteriormente várias vezes.

Quando foram consultados sobre a possível mudança, os executivos da CNN nos EUA se enfureceram, desligaram o telefone e nunca mais o atenderam caso fosse a RedeTV que estivesse no outro lado da linha.

Depois veio a Record

Depois disso a Record também chegou a fazer uma tentativa de aproximação, mas foi reprovada "editorialmente" por ter relações umbilicais com uma igreja.

Foi só no ano passado que Douglas Tavolaro —que pouco antes se demitiu da vice-presidência de Jornalismo da Record— e o empresário Rubens Menin —dono da megaconstrutora MRV— conseguiram reunir um projeto com toda a estrutura e que cumpria as exigências dos minuciosos diretores de parceria da CNN nos Estados Unidos.

E é um projeto tão grande que está colocando a chefia da GloboNews de sobreaviso.

Um dos temores da GloboNews já se realizou e foi anunciado no mês passado. No entanto já havia sido antecipado por esta coluna em março: a CNN deverá chegar ao Brasil nos pacotes básicos das operadoras (não nos mini-básicos, que só fornecem canais abertos VHF e UHF).

A Claro Net, maior operadora do Brasil, já confirmou. Faltam ainda a Sky e a Vivo, mas as negociações estão caminhando.

Essa condição —entrar em pacotes básicos— é um dos itens fundamentais para que a nova emissora possa concorrer de igual para igual com a GloboNews, ao menos em alcance.

O temor da GloboNews com a nova concorrente procede: a CNN Brasil chega com um elenco cujo peso (ao menos em termos de brilhantismo) já pode ser considerado tão bom ou até melhor que o da Globosat.

William Waack, Evaristo Costa, Reinaldo Gottino, Cris Dias, Phelipe Siani e Mari Palma estão entre os contratados do novo canal.

A ex-global jornalista Monalisa Perrone também vai comandar um telejornal em horário nobre, que irá ao ar antes do ancorado por Waack.

Ontem foi anunciada também a contratação dos comentaristas e advogados Caio Coppola (que se demitiu da Jovem Pan) e Gabriela Prioli.

Os dois vão ser responsáveis por um dos formatos consagrados da matriz norte-americana: programa "The Great Debat".

A CNN Brasil inicialmente deveria ir ao ar até o final deste ano, mas, conforme o colunista Flávio Ricco, do UOL, antecipou, foi adiada para março de 2020.

Mas, que finalmente saiu do papel após anos, saiu.

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