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Exclusivo: Pirataria dobra ibope dos jogos de futebol em PPV no Brasil

Pirataria dribla tecnologia do PPV e exibe jogos de futebol  - Marcello Zambrana/AGIF
Pirataria dribla tecnologia do PPV e exibe jogos de futebol Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

01/02/2020 03h06

Resumo da notícia

  • Ex-diretor da Globosat revela dura batalha contra indústria pirata
  • 1 em cada 2 pontos que acessam PPV no Brasil usa pirataria
  • Tecnologia 'pirata' agrava situação da TV por assinatura no país

Mais da metade dos domicílios no Brasil que assiste aos jogos de futebol por meio do pay-per-view (PPV) pode estar acessando o serviço com sinais e equipamentos piratas.

O dado —inédito— foi revelado a esta coluna pelo ex-diretor da Globosat, Alberto Pecegueiro.

Ele deixou o cargo ontem, após cerca de 25 anos. Foram cerca de 35 anos de Grupo Globo no total.

"Pai" da expansão TV paga no Brasil, ele continuará vinculado ao Grupo Globo ainda por alguns anos, como consultor e representante em joint-ventures da companhia.

Segundo Pecegueiro, 62, a base de assinantes dos canais Premiere (PPV) soma hoje um pouco menos de dois milhões de assinantes no Brasil.

Porém, a medição de audiência aferida mostra uma outra realidade:

"Num bom jogo do campeonato brasileiro a audiência medida do Premiere pode chegar a mais de quatro milhões de domicílios. Que tal?", indaga o executivo em entrevista exclusiva à coluna.

A revelação de Pecegueiro na verdade mostra que a pirataria do PPV já deve estar bem acima dos 50% dos sinais por ao menos dois motivos:

1 - nem todo mundo que acessa sinais piratas vê jogos de futebol, nem mesmo os "bons jogos";

2 - Há hoje inúmeros sites que também disponibilizam os sinais PPV pirateando-os, e que não estão contemplados nessa medição.

Pecegueiro comprova a dura batalha travada entre operadoras, Polícia Federal, ABTA (Associação Brasileira das TVs por Assinatura) e Ministério da Justiça de um lado; e a indústria da pirataria de outro.

Batalha que não está nem perto do fim. Pelo contrário. Tudo indica que está se intensificando com a crise econômica e a crescente facilidade de acesso a conteúdo pago por meios ilegais.

A situação parece ter piorado ainda mais nos últimos anos porque aparelhos usados para piratear sinais não estão mais disponíveis apenas em vendas no submundo ou junto a representantes ilegais.

Como o UOL revelou em maio do ano passado, com exclusividade, algumas redes varejistas também vendem eventualmente aparelhos cujo hardware permite piratear todos os canais da TV paga, inclusive o Premiere, o PPV do BBB20 e os canais pornôs.

(nota de atualização: após a reportagem do UOL o Carrefour fez acordo com a Anatel e interrompeu as vendas do aparelho em questão)

Na verdade muitos desses aparelhos são vendidos como se fossem apenas receptores digitais.

Mas, uma simples mudança em sua configuração, já permite um outro uso: piratear sinal de TV paga.

Quatro anos atrás a TV paga tinha 17,7 milhões de assinantes e cerca de 3,5 milhões de pontos "piratas", segundo dados da ABTA (um em cada 5 pontos instalados).

Hoje a TV paga tem cerca de 15,5 milhões de assinantes e certamente a pirataria cresceu (não há novos dados oficiais). Isso porque, como dito acima, nos últimos quatro anos os métodos de pirataria de sinal cresceram e evoluíram.

Por outro lado a fuga de assinantes não para, agravada pela concorrência dos serviços de streaming, mais baratos.

Leia amanhã no UOL (nesta coluna) a íntegra da entrevista de Alberto Pecegueiro, um dos pioneiros da TV paga no Brasil.

Ricardo Feltrin no Twitter, Facebook e site Ooops

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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