Topo
Blog do Mauricio Stycer

Blog do Mauricio Stycer

Netflix anuncia 30 produções no Brasil, mas reprises é que são sucesso

Mauricio Stycer

2028-04-20T19:05:01

28/04/2019 05h01

Cena de "The Office", série mais vista na Netflix, nos EUA, em 2018

Ted Sarandos, o chefão da área de conteúdo da Netflix, anunciou nesta quarta-feira (24), no Rio, que a empresa está desenvolvendo 30 projetos no Brasil. São séries e filmes, em diferentes estágios de produção. Uma das principais novidades, informou o serviço de streaming, foi a contratação de Maísa Silva, do SBT, para protagonizar três filmes.

Um resumo dos novos investimentos da Netflix no Brasil pode ser visto aqui. É uma lista que impressiona.

"O Brasil tem talentos extraordinários e uma longa tradição em contar grandes histórias. É por este motivo que estamos animados em aumentar nosso investimento na comunidade criativa brasileira", disse Sarandos.

A fala do executivo é verdadeira, mas não explica tudo. Uma reportagem publicada nesta quarta-feira no "The Wall Street Journal", um dos principais jornais de economia do mundo, resumiu muito bem qual é o atual problema da Netflix. A empresa acredita que séries novas e originais impulsionam as assinaturas. Mas dados obtidos pelo jornal mostram que não impactam a audiência.

Com base em dados do Nielsen, a principal empresa medidora de audiência nos Estados Unidos, o "Wall Street Journal" informa que dos 10 programas que os assinantes da Netflix passaram a maior parte do tempo assistindo em 2018, apenas dois eram originais ("Ozark" e "Orange Is the New Black"). Os oito demais foram reprises de programas licenciados pelo serviço de streaming, a saber: "The Office", "Friends", "Grey´s Anatomy", "Shameless", "Criminal Minds", "NCIS", "Supernatural" e "Parks and Recreation".

As séries novas costumam gerar picos de visualização sempre que são lançadas, como ocorreu em outubro de 2017 com a segunda temporada de "Stranger Things", mas as reprises de velhos sucessos têm audiência mais constante, ao longo do tempo, mostram os dados.

A Netflix contesta a análise destes números. Segundo a empresa, olhar apenas para o tempo gasto assistindo exagera a importância das reprises, que têm muito mais episódios do que os originais do serviço de streaming.

"Concentrar-se nas séries e filmes que os assinantes escolhem e assistem é mais valioso do que quanto tempo eles gastam em uma série comparada a outra", disse ao jornal o porta-voz da empresa.

O problema da Netflix é que as séries de sucesso reprisadas pertencem a grandes conglomerados de mídia que estão se preparando para lançar os seus próprios serviços de streaming, como Disney, Warner e NBC. Estas empresas tendem a não renovar os contratos de licenciamento que mantêm hoje com a Netflix.

***

Neste domingo, às 20h, o SBT exibe o seu tradicional Troféu Imprensa. Vários colunistas do UOL e da Folha participaram do júri que escolheu os melhores da televisão em 2018 e anteciparam em seus blogs alguns detalhes da premiação. Veja os relatos feitos por este blogueiro, pela Cristina Padiglione, por Ricardo Feltrin e por Leo Dias.

Este texto, originalmente, foi acessado por quem está inscrito na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

Stycer recomenda

. UOL Vê TV – 10 Novelas do século 21 que merecem ser reprisadas

. Direitos autorais dificultam reprises de novelas antigas no Viva; entenda

. Opinião: Desgaste e crise derrubam o reality "O Aprendiz"

. Minissérie da Globo tem embalagem ambiciosa, mas transborda artificialidade

Melhor da semana
"Órfãos da Terra" é um exemplo de novela a ser seguido

Pior da semana
Sem aval, âncora lança pomada para cabelo com marca do SBT

Siga o blog no Facebook e no Twitter.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.