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Episódio com Felipe Prior faz refletir sobre como escolhemos nossos ídolos

Felipe Prior, eliminado do "BBB" - Reprodução/globo
Felipe Prior, eliminado do "BBB" Imagem: Reprodução/globo
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

03/04/2020 17h13

Resumo da notícia

  • Segundo a revista "Marie Claire", arquiteto é acusado de ter estuprado duas mulheres entre 2014 e 2018
  • No "BBB", Prior foi acusado de machismo, disse que gritava com a mãe e ainda assim virou favorito
  • Assim como Prior, outros participantes da atual edição do reality show foram acusados de assédio

As acusações de estupro sofridas por Felipe Prior trazidas à tona pela revista "Marie Claire" caíram como uma bomba nos bastidores da Globo. Nos bastidores do "BBB", a reação é de estupefação. Afinal, como um dos participantes mais queridos pelo público pode ter um passado supostamente tão pesado? Segundo pesquisa do Google, o arquiteto foi o confinado mais pesquisado desta temporada. O interesse no brother, eliminado em um paredão recorde, com mais de um bilhão de votos, é tão grande que famosos como Neymar e Gabriel Medina ofereceram amizade. Segundo a revista, o arquiteto teria estuprado duas mulheres entre os anos de 2014 e 2018 e tentado abusar de outra em 2016. Por causa disso, ele teria sido banido do Interfau, os jogos universitários do curso de arquitetura da Faculdade Mackenzie, fato confirmado pela organização do evento.

Nas redes sociais, a assessoria do ex-BBB afirma não haver nenhum processo criminal e ameaça de processo quem divulgar a história, mas o estrago em sua imagem já está feito. O episódio traz duas reflexões importantes: afinal, como o "Big Brother Brasil" escolhe seus participantes? Há um tema específico por trás da seleção? O questionamento é válido pela triste coincidência. Dois concorrentes - Pyong e Petrix - foram acusados de assédio durante o reality show. Hadson e Lucas também não pareceram sensíveis às mulheres em muitas de suas declarações. Seria possível que o machismo fosse critério de escolha?

Da mesma maneira, há que se rever a maneira como escolhemos os nossos ídolos. Felipe Prior, ao longo do "BBB 20", integrou conversas machistas, que julgavam a beleza das mulheres ou as tratavam como promíscuas. Da mesma maneira, integrou um plano de acabar com a reputação das famosas da casa por meio de um teste de fidelidade, discutiu com dedo em riste com algumas colegas de confinamento - Flayslane e Gizelly -, falou de zoofilia como algo comum e chegou a afirmar que grita até mesmo com própria mãe.

Tais atitudes não parecem exatamente virtudes, mas, ainda assim, o arquiteto foi considerado um participante "verdadeiro", "sincero" e "perseguido", dentre outros adjetivos. Será que os sinais de um comportamento problemático não estavam ali? As pessoas querem mesmo alguém que grita com a mãe como ídolo ou referência de régua moral?

O caso terá repercussões na Globo. Na redação do "Fantástico", a dúvida é o que fazer com a reportagem gravada com o arquiteto na última quarta-feira (1). O dominical enviou a jornalista Ana Carolina Raimundi para acompanhar as primeiras horas do ex-BBB fora da casa mais vigiada do Brasil e decidirá se o material será descartado ou transformado em uma reportagem sobre as acusações que pairam sobre Prior.

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