Topo

Coluna

Leo Dias


Furo de reportagem de morte não agrega valor ao jornalista

Gugu Liberato - Divulgação/Record TV
Gugu Liberato Imagem: Divulgação/Record TV
Leo Dias

Leo Dias é jornalista e diretor-executivo do "TV Fama", da Rede TV!. Foi correspondente internacional da rádio portuguesa RDP, passou pelas TVs Bandeirantes e RedeTV! e apresentou um programa na rádio FM O Dia, líder de audiência no Rio de Janeiro, onde entrevistava políticos, jogadores de futebol, dirigentes e muitos artistas. Assinou uma coluna de celebridades no jornal "O Dia" e também esteve nos jornais "Extra" e nas revistas "Contigo", "Chiques e Famosos", "Amiga" e "Manchete". Apesar dessa experiência, sempre se definiu como repórter, tamanha paixão pela apuração da notícia e pela vontade em produzir conteúdos exclusivos. Polêmico, controverso e dono de uma forte personalidade, Leo conquistou um público cativo por dar notas explosivas e audaciosas num mundo artístico mais conservador. Seu lema: "A fama tem um preço estou aqui para cobrar".

Colunista do UOL

22/11/2019 02h17

Resumo da notícia

  • Parte da imprensa brasileira divulgou nesta quinta-feira (21) a morte de Gugu Liberato, sem que houvesse, entretanto, confirmação oficial da família.
  • Fato semelhante aconteceu em fevereiro, quando o jornalista Ricardo Boechat morreu.
  • Segundo Leo Dias, o furo de reportagem precisa ter limites, e o bom senso é o que rege tudo.
  • Ainda de acordo com o colunista, a imprensa não pode concluir o que, de fato, acontece com Gugu.
  • Ele também ressalta que um 'furo jornalístico' desse tipo em nada muda a vida do jornalista que se precipita em dá-lo.

Pela segunda vez no mesmo ano o jornalismo brasileiro se viu diante de um dilema que mexe com todo mundo e provoca muitos ataques ferozes na internet. Alguns jornalistas confirmaram nesta quinta-feira (21) a morte de Gugu Liberato antes da família e da Record se pronunciarem. As informações caem nas redações como uma bomba atômica, mas é justamente nesta hora que deve prevalecer o bom senso. Por mais certeza que se tenha, por meio de confirmações não-oficiais, essa é a notícia em que não dá para se antecipar a um anúncio familiar.

O mesmo aconteceu na morte de Ricardo Boechat. Quase todas as redações já sabiam da morte, mas era fundamental que a Band se pronunciasse. Qual é a verdadeira vantagem em noticiar algo tão grave sem a família se pronunciar? O furo de reportagem precisa ter limites, e o bom senso é o que rege tudo. É se colocar no lugar do outro, se colocar no lugar da família de Boechat e Gugu.

Em poucos minutos, viu-se nas redes sociais uma série de homenagens póstumas a alguém que ninguém sabe se, de fato, morreu. Não cabe à imprensa concluir o que realmente acontece naquele hospital em Orlando. E, acredite, caro coleguinha jornalista, esse furo, não mudará sua carreira.

Só Deus sabe o que vai acontecer nas próximas horas em relação ao estado de saúde de Gugu, mas o aprendizado desta quinta-feira foi que os cliques não valeram a pena. A função da imprensa agora, assim como do público, é rezar e aguardar o comunicado oficial da família Liberato ou da Record TV.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Leo Dias