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Mauricio Stycer


Excesso de reprises na TV em janeiro aponta falta de visão e planejamento

Entre outras reprises, o SBT está apresentando em janeiros edições antigas do "Programa Silvio Santos" - Reprodução/SBT
Entre outras reprises, o SBT está apresentando em janeiros edições antigas do "Programa Silvio Santos" Imagem: Reprodução/SBT
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

12/01/2020 05h01

Houve um tempo, no passado, em que se dizia que o ano só começava depois do Carnaval. Essa afirmação valia também para a programação de TV. Dados do Ibope apontavam que havia menos gente em casa assistindo televisão em janeiro e o mercado publicitário não fechava contratos importantes no período.

A realidade mudou. Estabelecendo uma grade com atrações previstas com antecedência para este período, como o "Big Brother Brasil" e, mais recentemente, o "The Voice Kids", a Globo estabeleceu uma nova rotina e trouxe público e patrocinadores.

E não só. Como foi debatido no mais recente podcast UOL Vê TV, num momento como o atual, de crise econômica, as férias do brasileiro são mais modestas e o espectador em potencial fica mais tempo em casa.

Por isso, chama tanto a atenção, negativamente, a programação das principais concorrentes da Globo. O SBT encheu a sua grade com "melhores momentos" de programas exibidos em 2019. Até programa de fofoca tem sido reprisado... Um vexame. A Record, igualmente, não trouxe quase nada de novo neste início de ano.

É verdade que mesmo a Globo recorreu a uma reprise para preencher a grade noturna, uma versão remasterizada da minissérie "O Auto da Compadecida". O programa é excelente, mas o pretexto para a sua reapresentação não é verdadeiro. A minissérie estreou em janeiro de 1999, há 21 anos, e não há 20, como tem anunciado a emissora.

Num momento em que as TVs enfrentam dificuldades variadas, esta avalanche de reprises aponta acomodação, falta de visão e pouco planejamento. A atitude deveria ser muito diferente dessa.

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Uma versão deste texto foi publicada originalmente na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

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