PUBLICIDADE
Topo

Pamella relata pavor durante última briga com DJ Ivis: 'Ele pegou uma faca'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/07/2021 22h55Atualizada em 19/07/2021 14h05

Uma semana após denunciar as agressões sofridas no relacionamento com DJ Ivis, que foi preso na última quarta-feira (14), Pamella Holanda contou, em entrevista ao "Fantástico", da TV Globo, que ainda não sabe como será a sua vida a partir de agora.

"Eu fico pensando: 'como vai ser minha vida quando eu voltar a viver, porque esses dias não estou vivendo, estou existindo'", desabafou.

Pamella Holanda e DJ Ivis se conheceram pela internet, em 2018, e começaram a namorar no ano seguinte. Em janeiro de 2020, ela decidiu ir morar com o músico e realizou o sonho de engravidar, mas também passou a sofrer violência doméstica.

Quando comecei a morar com ele, ele já começou a me agredir. Começou verbalmente: palavrão, grosserias. Eu estava grávida de cinco para seis meses. Me segurou pelo pescoço e foi me arrastando do corredor até o sofá... Teve outras. Time medo, vergonha, eu tava realizando um sonho, eu tava grávida. Sempre quis ser mãe.

Em outubro de 2020, a filha Mel veio ao mundo e Pamella acreditou na chance de um futuro melhor, mas, na verdade, não parou de sofrer agressões. Em dezembro do ano passado, as câmeras da casa flagraram uma nova agressão de DJ Ivis contra a companheira por não aceitar que ela amamentasse a criança por estar infectada pela covid-19.

"Ele me agride com a blusa, depois veste e começa a falar várias coisas. Eu insisto muito e vou no carrinho para amamentar ela. Aí, é a hora que ele me puxa meu cabelo, me bate e esbarra no carinho", contou, e disse que sua mãe presenciou as cenas de violência e pediu ao músico para parar de agredi-lá.

Os médicos recomendavam para a neném, mas ele não queria de jeito nenhum porque dizia que ela ia pegar covid. [Minha mãe] pediu para ele não fazer. Ela só conseguiu fazer isso.

Já no vídeo divulgado das agressões ocorridas em fevereiro de 2021, ela revelou que a briga se iniciou após ver o marido mostrar uma foto íntima sua a um amigo.

A gente começou a discutir porque ele mostrou uma foto minha íntima para o Charles, para esse amigo dele. Eu pergunto o que é, volto pra cozinha e ele continua. Até a hora que eu vou e é a hora que ele me agride. Depois ainda ele me solta e eu ainda vou pra cima dele, mas ele se esquiva; depois, quando eu dou as costas, ele me dá um soco, me dá um chute, me deu um soco nas costas que eu caí no chão e fiquei sem conseguir respirar.

As brigas relatadas ocorreram no apartamento do casal em Fortaleza, no estado do Ceará. A gota d'água para Pamella decidir buscar ajuda aconteceu após agressão sofrida na nova casa, na cidade de Eusébio, também no Ceará, após chamá-lo para discutir sobre uma suposta traição.

Ele começou a me socar as costas, me chutou nas minhas pernas. Não lembro se lembro nessa hora que tentei me defender e o soco pegou no meu olho ou se foi uma cotovelada.

A babá, que estava em seu primeiro dia de trabalho na casa, presenciou as cenas de violência e foi demitida pelo músico. No dia seguinte, segundo Pamella, DJ Ivis iniciou uma nova discussão na cozinha da residência e até pegou uma faca para ameaçá-la.

Desci umas 10h, quase 11h para poder fazer o leite dela e já começou a discutir. A funcionária dele também estava na hora na cozinha. Foi na hora que ele pegou uma faca na gaveta da cozinha. A funcionária dele foi e segurou braço dele.

Sem telefone para chamar a polícia, Pamella saiu correndo de casa buscando ajuda. Ela, inicialmente, solicitou amparo dos funcionários do condomínio, mas foi ignorada e teve a sorte de ter sido escutada por uma vizinha.

A reportagem diz que o casal conversou com a polícia após a confusão e chegou a ir à delegacia para relatar o caso. DJ Ivis negou a agressão e Pamella acabou optando em não prestar depoimento por medo. No dia seguinte, porém, ela decidiu fazer a denúncia, o exame de corpo de delito e divulgou os vídeos das agressões nas redes sociais.

Se fosse só a fala dele contra a minha, ninguém ia acreditar. Ele é famoso, conhecido... Ninguém imaginava que era assim. Ele acabava de brigar comigo e saia para o ensaio.

A prisão

Iverson de Souza Araújo, de 30 anos, foi preso na última quarta-feira (14) pela agressão à Pamella Holanda. Na audiência de custódia, ele foi mantido preso e foi transferido Delegacia de Capturas para o presídio Irmã Imelda Lima Pontes, na região metropolitana de Fortaleza.

O artista irá responder dois inquéritos: na cidade de Fortaleza será pelos vídeos das agressões no apartamento onde viveu com Pamella. Já no município de Eusébio, ele responderá pela agressão relatada pela vítima.

Até o momento, sete pessoas prestaram depoimento. Segundo a polícia, a declaração da babá, que trabalhou um dia na casa, é um dos mais importantes pela falta de vínculo emocional com a vítima e o acusado.

"Ela não tinha vínculo nenhum com nenhuma das partes. Nem com a Pamella e o Iverson. Diferentemente do Charles e a governanta, que tem um vínculo maior com ele", declarou Tharsio Facó, delegado de polícia.

No relato da babá, divulgado pelo "Fantástico", ela diz "ter escutado barulhos no quarto do casal que se assemelham a pancadas na parede. Que a mãe do DJ Ivis estava na casa e teria dito: 'eles estão arengando (brigando)'. Pamella saiu do quarto chorando muito e com o olho roxo".

Além dos vídeos divulgados pela vítima nas redes sociais, a polícia conseguiu recuperar imagens das câmeras de segurança de uma das últimas brigas do casal.

"Ele sai do quarto e, em seguida, ela sai chorando do quarto bastante. Em alguns segundos, ele volta muito exaltado. Aquilo é muito sugestivo de que tinha acabado de acontecer a agressão no quarto do casal", acrescentou o delegado Tharsio Facó.

Assumindo a culpa

Minutos antes de ser preso, DJ Ivis gravou um vídeo em que deixa as justificativas de lado e assumiu o erro. "Estou errado mesmo. Peço perdão a cada um de vocês. Nada vai mudar o que eu fiz. Tentei ser perfeito e não consegui. Não quero mudar o que eu fiz, mas quero mostrar que também sou humano", declarou.

Procurada pelo "Fantástico", a defesa do músico diz que "ele reconhece que foram totalmente desleais, e não há nada que possa justificar". Eles ainda reforçam que 'Iverson irá arcar com suas responsabilidades'.

Consequências das agressões

Além da prisão, DJ Ivis foi afastado da produtora que trabalhava e teve o contrato rescindido com a gravadora Sony Music Brasil. A Som Livre suspendeu todos os lançamentos das músicas do artista e bloqueou exibição das faixas que estavam no ar.

Pamella Holanda conseguiu medidas protetivas contra o músico e também entrou na Justiça para impedir que o artista e seus representantes façam movimentações financeiras sem seu consentimento.

"Ele não pode postar imagens, nem vídeos íntimos dela. Também não pode postar qualquer imagem que vá ferir a honra ou difamá-la. Ele também não pode celebrar contratos ou vender bens", explicou Priscila Virino Silveira, advogada da vítima.

Recado contra violência doméstica

Pamella Holanda aproveitou para aconselhar as mulheres que são vitimas de violência doméstica a se encorajarem para denunciar os agressões.

Eu não aguentava mais que minha filha escutasse o meu choro e que me visse, porque não quero que ela grave imagem de mim chorando. Eu aconselho, eu encorajo, a gente não pode se aprisionar a nada que é ruim.

Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.

Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.

Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — a Central de Atendimento à Mulher, que funciona em todo o país e no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O serviço recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. O contato também pode ser feito pelo WhatsApp no número (61) 99656-5008.

A denúncia também pode ser feita pelo Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Diretos Humanos (ONDH) do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH). Vítimas de violência doméstica podem fazer a denúncia em até seis meses.

Caso esteja se sentindo em risco, a vítima pode solicitar uma medida protetiva de urgência.