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Blog do Mauricio Stycer

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Como o Instagram foi de paraíso artificial a inferno das celebridades

Mauricio Stycer

22/02/2019 16h33

Lugares lindos, pratos de comida apetitosos, os sorrisos mais caprichados… Por muito tempo, o Instagram foi sinônimo de terra da fantasia, paraíso artificial. Era a rede social ideal para vender sonhos de consumo e divulgar imagens irreais.

Logo as celebridades entenderam que o Instagram seria a plataforma perfeita para faturar com publicidade e, não menos importante, conversar de igual para igual com os fãs (ao menos, transmitir esta impressão).

Não é à toa que os campeões de seguidores no Instagram em todo o mundo são esportistas, artistas de cinema e televisão, cantores e personagens de reality shows. Eles dominaram a rede e deram novo sentido a ela.

Empresas especializadas em "social media" ensinaram os famosos a azeitar o vínculo com os seguidores produzindo e publicando fotos da própria intimidade e mensagens de caráter pessoal, sem ultrapassar limites. Acidentes, eventualmente, acontecem, mas de um modo geral os famosos mantêm sob controle o que é material divulgável ou não.

Os jornalistas que acompanham o universo destas celebridades têm cada vez menos contato direto com suas fontes. Por que Neymar precisa dar uma entrevista a um veículo se é seguido no Instagram por 111 milhões de contas? Uma postagem sua atinge um número incalculável de pessoas e, ainda por cima, ele não precisa ouvir perguntas incômodas dos repórteres.

O jornalismo de celebridades passou a olhar para o Instagram como fonte. Inicialmente, as postagens dos famosos se tornaram matéria-prima de notícias. Fulana viajou para as Maldivas. Sicrano festejou o aniversário no restaurante do chef Beltrano. Daí para uma análise do comportamento deles na rede social foi um pulo.

O ato de seguir ou deixar de seguir uma pessoa se tornou equivalente a uma declaração. A cada suspeita de namoro, aparecia a notícia: "Fulana passou a seguir Sicrano". Um término de casamento, inevitavelmente, gerava notas como: "Sicrano para de seguir Fulana". Seguido por: "Fulana exclui fotos de Sicrano no Instagram". E por aí vai.

A importância do Instagram neste ramo do jornalismo alcançou um novo patamar nestes últimos dias após a atriz Debora Nascimento informar, por meio de assessoria de imprensa, que o seu casamento com o também ator José Loreto terminou.

"Débora Nascimento e José Loreto não estão mais juntos. A atriz conta com a compreensão de todos os fãs e amigos da imprensa nesse momento", dizia a nota, divulgada no sábado, dia 16. Obviamente que o seu pedido não foi atendido.

A primeira providência, naturalmente, foi fuçar no Instagram. Onde se constatou que a última foto do casal na conta do ator era de 21 de janeiro e a última imagem publicada pela atriz com o ex-marido datava de 3 de fevereiro.

A confusão aumentou no dia seguinte, domingo (17), quando Marina Ruy Barbosa apressou-se em divulgar no seu Twitter (2 milhões de seguidores) uma nota dizendo ser "infundado" o boato de que seria "o pivô da separação". Como se sabe, a personagem de Marina em "O Sétimo Guardião" está fazendo par romântico com o de Loreto, o que certamente estimulou a imaginação de todos que acompanhavam a história.

Na terça-feira (19), constatou-se que Débora deixou de seguir o ator no Instagram, mas Loreto não fez o mesmo e continuava acompanhando tudo que sua ex postava por lá.

Ainda na terça o caldo entornou de vez quando uma reportagem do UOL registrou que algumas amigas famosas de Marina Ruy Barbosa, como Bruna Marquezine, Thaila Ayala, Giovanna Ewbank e Fiorella Mattheis, haviam deixado de seguir a ruiva no Instagram.

A esta altura dos acontecimentos, boa parte dos brasileiros já adquiriu sabedoria em matéria de Instagram para entender que as amigas de Marina estavam dando uma opinião forte sobre a fofoca da semana. O assunto explodiu.

Na quarta-feira (20), foi a vez de José Loreto se manifestar. Em sua conta no Instagram (3,5 milhões de seguidores) ele foi direto ao ponto: "Errei sim, manchei o teu nome". Mas introduziu uma dúvida na cabeça dos fãs: "Apesar das evidências, eu te juro que nada aconteceu. Sei que é difícil de acreditar, mas nem sempre a verdade é translúcida".

Novas versões surgiram e os fãs de Marina Ruy Barbosa, entendendo que ela vinha sendo injustiçada nesta história, trataram de dar uma resposta na mesma moeda, ou seja, com "likes" e "unfollows" no mundo das redes sociais.

Na quinta-feira (21), o UOL constatou que, em menos de 24 horas, Giovanna Ewbank havia perdido cerca de 50 mil inscritos em seu canal oficial no YouTube. Nesta sexta (22), uma nova contagem mostrava que Bruna Marquezine foi abandonada por 126 mil de seus seguidores no Instagram (de um total de 34,5 milhões). Já Ewbank acumulava uma perda de 235 mil seguidores (de um total de 17 milhões).

Aguinaldo Silva, que não é bobo nem nada, também recorreu às redes sociais para postar uma mensagem de apoio a Marina ("Nunca é demais lembrar de quem a gente ama"). Na noite de quinta-feira, em sua conta no Facebook, também postou que "é absolutamente infundada a 'notícia' que circula na web sobre a morte do personagem Júnior", vivido por Loreto. Nesta sexta-feira (22), reportagem do UOL revelou que o clima nos bastidores de "O Sétimo Guardião" não é bom.

Novos capítulos desta novela são aguardados. É verdade que o velho e bom jornalismo ainda está em ação – vários trechos desta história só foram descobertos graças à apuração de repórteres junto a fontes. Para o bem e para o mal, porém, é preciso constatar que nem o jornalismo nem as celebridades vivem mais sem as redes sociais – e muitas vezes ambos são reféns delas.

Briga entre atores gera climão em bastidor de "O Sétimo Guardião"

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.