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Jogo não acabou: ex-participantes estão vivendo o cruel BBB dos cancelados

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

04/05/2020 12h20

No mundo do futebol, gostam de dizer que "o jogo só acaba quando termina". É uma redundância, sim, mas contém uma sabedoria. Significa que mesmo vencendo por 3 a 0, um time não deve considerar a partida ganha. Ela só estará vencida, de fato, quando o juiz apitar o final; antes disso, tudo pode acontecer.

Digo isso para refletir sobre o BBB. A frase não funciona para o reality. O BBB é um jogo que não acaba quando termina. Ou seja, o anúncio do vencedor não é um apito final anunciando o fim do jogo. Pior, é o início de uma espécie de segundo tempo, às vezes ainda mais difícil que o primeiro.

No momento em que Tiago Leifert anunciou a médica Thelma Assis como campeã do BBB 20 teve início este segundo tempo, e ele está sendo muito duro para alguns ex-participantes. Mais do que em outros anos, em 2020 a "cultura do cancelamento" está sendo cruel com muita gente.

Parte do público não perdoa alguns erros, vacilos ou passos em falsos dados por alguns participantes e parte para o ataque justamente na arena em que os agora ex-BBBs achavam que iriam reinar - e faturar: as redes sociais, sobretudo o Instagram.

No início de abril, Leifert tentou abrir os olhos dos participantes. Não por acaso, exatamente no dia da eliminação de Marcela, ele disse: "Todo mundo já foi cancelado na internet ao menos uma vez". Ou seja, todo mundo já falou alguma bobagem que gerou alguma reação desproporcional. Relaxa.

"Todos vocês já cometeram injustiças na casa". Óbvio. Mas foi bom ele ter dito - tinha muita gente que acreditava estar apenas promovendo justiça. Disse ainda: "Não tem nada mais insensato do que tentar buscar a perfeição aí dentro". Esperar que os participantes tenham um comportamento exemplar o tempo todo no confinamento é sonhar com o impossível, é falso moralismo.

E, por fim, o apresentador afirmou: "Tem uma parcela do público que vota buscando isso (a perfeição dos participantes). Só que eles se frustram miseravelmente. Fada não existe."

Bom, uma das participantes do BBB 20 que mais está sofrendo aqui fora é Marcela, justamente uma das que acharam que tiveram um "comportamento exemplar o tempo todo". Os haters não perdoam o namoro com Daniel e a postura que ela teve com Babu. Estão atazanando tanto Marcela que quase todo dia ela pede desculpas. E disse que já pediu até ajuda médica. Está pesado.

Outro que sofre bastante é Victor Hugo. O rapaz não tem um momento de sossego. Outro dia, interrompeu uma live no meio chorando tantos foram os ataques e as ofensas. Entre outros "pecados" cometidos por Victor Hugo, ele chamou a campeã Thelma de "planta". Foi cancelado, claro.

Ivy, que votou quase uma dezena de vezes em Babu, também já pediu desculpas e disse que errou em uma infinidade de depoimentos. O seu arrependimento parece ter funcionado. Ela tem recebido ofertas de trabalho desde que saiu.

A turma de homens que teve atitudes machistas dentro da casa está numa espécie de limbo. Não têm sido chamados para fazer trabalhos e vêem os haters atacando nas redes sociais. Petrix e Lucas Galina também já pediram desculpas ou "mais uma chance".

Isso é uma das coisas mais tristes. "Mais uma chance". Os ex-participantes falam como se fossem condenados.

Isso não é justo. O BBB é um jogo, sim. E deveria acabar quando termina.

Mauricio Stycer