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Após ter bebê em casa, Bela Gil incentiva mulheres: "Nascemos para parir"

Reprodução/Facebook
Bela Gil com Nino nos braços logo após ter o bebê em sua casa em Nova York Imagem: Reprodução/Facebook

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

24/08/2016 07h00

A chegada de Nino, nascido no último mês de maio, trouxe não só uma nova experiência de maternidade para Bela Gil, mas também a vontade de compartilhar a vivência do parto humanizado com seus fãs e seguidores."É dolorido, mas é suportável. Nascemos para parir e a gente fica a vida toda achando que é uma dor insuportável. É a construção de um mito, a gente vê a mulher lá sofrendo nos filmes e novelas, mas ninguém fala dos riscos da cesárea, da dor do pós-parto", diz Bela.

Na última semana, a chef de cozinha estreou uma playlist sobre maternidade em seu canal no YouTube. Além disso, nesta quarta-feira (24), ela mostra um vídeo com momentos do parto, realizado em sua casa em Nova York. Para receber Nino, Bela contou com a ajuda de uma doula e de uma parteira, além do apoio emocional do marido João Paulo Demasi e da filha mais velha, Flor, de 8 anos.

“Foi um parto muito tranquilo, durou cinco horas desde a primeira contração até ele nascer. Foi muito rápido. Eu entrei na banheira e em 20 minutos ele nasceu”, lembra Bela em entrevista ao UOL.

Mãe de segunda viagem, Bela diz estar “tudo perfeito” desde o nascimento de Nino. “A recuperação foi incrível. É uma maravilha poder parir, tomar banho no seu chuveiro e dormir na sua cama”, diz. Sobre a alimentação, ela conta que apenas cortou leite e derivados. “Já não tomo muito normalmente, mas estou evitando ainda mais para não provocar gases”.

Reprodução/Instagram/@belagil
Flor e Nino, filhos de Bela Gil, em foto postada pela apresentadora no Instagram Imagem: Reprodução/Instagram/@belagil

“Parir é um ato supernatural”

A apresentadora do “Bela Cozinha”, do GNT, diz que resolveu levantar a bandeira do parto humanizado para que as mulheres se convençam de que “parir é um ato supernatural”.

“Querer ter o Nino em casa teve muito a ver com a quantidade de informação que eu tinha agora. Na época da Flor eu tinha 20 anos e para mim só existiam dois tipos de parto: o vaginal e o cirúrgico. O problema é que eu não tinha nenhum detalhamento sobre eles. Eu não sabia que um parto normal, natural, no hospital poderia ter tantas intervenções como foi o caso da Flor. Para eu ter um parto 100% natural, a probabilidade de conseguir no hospital é muito pequena, então prefiro ter em casa”, explica.

Acostumada a receber críticas e virar piada por seus hábitos alimentares saudáveis, Bela diz estar preparada para enfrentar opiniões contrárias as suas também sobre maternidade.

“Não sou a primeira a levantar essa bandeira, mas não é por isso que vou deixar de fazer. Tem gente que já critica. As pessoas falam que independentemente do tipo de parto mãe é mãe. Coisas que são óbvias. A questão aqui é muito mais profunda que isso. Não é porque a mulher teve um tipo de parto que ela é menos mãe do que uma que teve parto normal. Isso é muito raso de se pensar. O assunto que eu estou querendo tratar é muito mais profundo. É a mulher perder a chance de escolha. Não ter informação suficiente para fazer uma escolha 100% consciente. Eu quero deixar a mulher com todas as informações possíveis para ela fazer a melhor escolha para ela, não ser induzida por médicos, parentes ou medo alheio”, explica Bela.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil é o país que tem mais cesarianas no mundo. A cada 10 partos realizados em maternidade particulares, 8,5 são cesáreas. A epidemia desse tipo de parto no país acontece em grande parte por causa do sistema de remuneração dos médicos que trabalham em hospitais particulares. Os planos de saúde costumam pagar aos médicos por parto acompanhado e não por turno trabalhado.

Para Bela Gil, há um problema de distribuição da modalidade de partos oferecidos às mulheres brasileiras. “Na rede pública é até mais fácil conseguir um parto normal. A questão não é só financeira. A questão, do mesmo jeito que é com alimentação orgânica no nosso país e no mundo, é a distribuição. A cesárea, muitas vezes, é necessária em lugares que não acontece, e desnecessária em lugares que acontece. Muitos médicos da rede privada se sentem mais confortáveis em fazer cesárea porque é o que eles aprendem na faculdade”, diz Bela.

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