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Flávio Ricco


Síndrome de Burnout: recado de Izabella Camargo para Anitta

Izabella Camargo em seu recado para Anitta - Instagram
Izabella Camargo em seu recado para Anitta Imagem: Instagram
Flávio Ricco

Jornalista, passou por algumas das mais importantes empresas de comunicação do país, como Tupi, Globo, Record e SBT. Dirigiu o "Programa Ferreira Netto" e integrou a equipe do "SBT Repórter". Escreve sobre televisão desde 2003. colunaflavioricco@uol.com.br

Colunista do UOL*

04/09/2019 17h40

Desde que deixou seu trabalho, no dia a dia da TV Globo, a jornalista Izabella Camargo, vítima deste mal, transformou a Síndrome de Burnout em uma pauta positiva.

Em palestras ou mesmo conversas diretas, tem procurado ajudar e esclarecer o maior número de pessoas: "é necessário reconhecer os próprios limites".

A OAB, de Belo Horizonte, assim como o Ministério Público do Trabalho, em Campinas, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar de São Paulo, além de várias universidades, são alguns desses lugares.

Hoje, sabendo do problema da Anitta e usando seu Instagram, ela repetiu algumas dessas mensagens sobre o bem-estar da mente. Que "só tem Burnout quem ama o que faz e por amar o trabalho se ausenta de si mesmo".

Izabella confessa que já acumula mais de 3 mil recados recebidos, desde que tirou o assunto da clandestinidade. E que vai continuar pesquisando através de conversas com médicos e outros especialistas.

Izabella, no final do seu recado para Anitta, disse que aceitar já é um caminho para a cura. Que o Burnout não começa de um dia para o outro e cada pessoa tem um tempo de recuperação.

Eis a mensagem na íntegra:

"Eu, Anitta e você temos em comum a síndrome de burnout. Saber da notícia do diagnóstico da cantora me faz repetir algumas mensagens que tenho falado nas palestras sobre Bem-estar da mente. Só tem Burnout quem ama o que faz e por amar o trabalho se ausenta de si mesmo. Ninguém que não está nem aí acumula funções ou entra na armadilha da competência. Quem está trabalhando já sentiu o pico do burnout (mas não teve o diagnóstico ou negligenciou os sintomas) vai ter burnout se não atualizar a própria identidade ou vai conviver com alguém que está passando pelo pré ou pós- burnout. Digo isso pelas mensagens que recebo diariamente (já acumulo mais de 3 mil desde que tirei o assunto da clandestinidade), entrevisto médicos e outros especialistas quase todos os dias. Estou pesquisando o assunto há meses, no Brasil e em outros países, avalio a evolução da comunicação, avanços da tecnologia e sociedade pra entender como chegamos até aqui e porque tantas pessoas não conseguem reconhecer os próprios limites. A história, o passado, e as previsões, o futuro, explicam isso. Síndrome de burnout é nome novo para problema antigo. Procure no Google as definições para Neurasthenia (1829) ou estafa(mais comum até a década de 1990). O que seria pior que Burnout? AVC, enfarto ou Karoshi (morte súbita por excesso de trabalho). Há saída? Sim! É sobre isso que tenho falado em empresas, instituições, universidades e pra quem gosta de ouvir a verdade sobre os novos tempos e para quem pensa comigo nas alternativas de como seguiremos a partir daqui. Contem comigo! Vocês não estão sozinhos. Ter empatia é o primeiro passo para entender melhor sobre o assunto e parar de julgar as pessoas sem as informações corretas. Aceitar que precisa de ajuda já é um caminho de cura! Para a Anitta e outras pessoas que estão recebendo do universo apenas um "freio", desejo muita saúde e paciência. O burnout não começa de um dia para o outro e cada pessoa tem um tempo de recuperação".

*Colaborou José Carlos Nery