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Flávio Ricco


Aguinaldo Silva propõe a reinvenção das novelas pós-pandemia

Aguinaldo Silva, autor de "Fina Estampa" - Cesar Alves/TV Globo
Aguinaldo Silva, autor de "Fina Estampa" Imagem: Cesar Alves/TV Globo
Flávio Ricco

Jornalista, passou por algumas das mais importantes empresas de comunicação do país, como Tupi, Globo, Record e SBT. Dirigiu o "Programa Ferreira Netto" e integrou a equipe do "SBT Repórter". Escreve sobre televisão desde 2003. colunaflavioricco@uol.com.br

Colunista do UOL*

25/05/2020 00h05

Resumo da notícia

  • Para autor, novelas terão que se afastar da realidade, serem menos realistas
  • "O próprio jornalismo escreve capítulos da vida real", diz autor de "Fina Estampa"
  • "Precisamos não copiar, mas reinventar a realidade, torná-la maior que a vida"

Por causa dos estragos provocados pela Covid-19, a televisão como um todo vai precisar rever conceitos e buscar um novo caminho para continuar existindo.

No caso da dramaturgia, um dos seus principais produtos, há várias discussões em torno, incluindo até se os atores poderão se beijar, após a retomada das gravações. A coluna conversou sobre isso com o experiente Aguinaldo Silva, no ar com a edição especial de "Fina Estampa" na Globo.

"Acho que as novelas terão que se afastar um pouco da realidade que, nos noticiários, tornou-se 'novelística'. Agora o próprio jornalismo escreve 'capítulos' da vida real, com desdobramentos anunciados", constata Aguinaldo, que trabalhou mais de 50 anos no Grupo Globo.

"Exemplo do jornalismo: o tal vídeo da reunião presidencial foi divulgado. Agora vamos tentar nos antecipar ao que vai acontecer a seguir. Acho que, diante disso, os autores de novelas terão que ser mais criativos que a vida real. Ou seja: as novelas terão que ser menos realistas."

O autor indica um possível caminho: "Isso significa o quê? Um volta ao passado. Às grandes novelas. Fico aqui pensando em 'Pecado Capital', de Janete Clair, que considero a mãe de todas as novelas contemporâneas. Precisamos não copiar, mas 'reinventar' a realidade. Torná-la maior que a vida. Acho que, pós-pandemia, esta será a missão dos novelistas. Ou seja: as novelas voltarão a ser uma porta aberta para a imaginação e a fantasia."

"O cotidiano, com todas as suas agruras, as pessoas já vivem. Vamos dar a elas nas novelas uma chance de viajar e sonhar."

E conclui: "Alguém diz que, quando recomeçarem as gravações, não pode mais ter beijo nas novelas, porque isso seria 'um descompasso com a vida real em tempos de pandemia'. Então é bom inventar outro nome para o gênero porque, sem beijo, não pode mais ser chamado de 'novela'''.

*Colaborou José Carlos Nery

Flávio Ricco